Talentos da Felicidade – Parte 8: Meio Ambiente

2556212338_a1f0826c27

O último artigo da série abordará uma felicidade que se realiza na defesa de um meio ambiente sustentável. Esta felicidade pode ser considerada a dimensão mais nova dentre os tipos de vida propostos. E nos últimos tempos é a mais incentivada, pelo menos no discurso. Vejamos como o talento selecionado viveu sua felicidade com esse propósito, com menos discurso e muita prática.

Parte 8 – Meio Ambiente e Chico Mendes

A felicidade como busca de um meio ambiente equilibrado e comprometido com a sustentabilidade é um conceito ainda muito recente, em construção. Durante muitos anos a grande preocupação social era a vitória do progresso “contra a selva”.

Outro dia, vi esse comercial da década de 70 sobre a Rodovia Transamazônica onde esse discurso era evidente e, naquele contexto, exibir a derrubada da floresta em rede nacional era motivo de orgulho. Este comercial foi premiado em Cannes em 1972.

Alguns anos depois, o discurso ambiental era de proteger a camada de ozônio, combatendo o uso do gases CFC, utilizados em sprays e aparelhos de ar condicionado. Mais a frente, foi a questão da poluição dos oceanos em face dos derramamentos históricos de petróleo da decada de 80 nos EUA.

O termo desenvolvimento sustentável, que hoje é uma forte bandeira ideológica – e uma marca de alto valor comercial, foi criado somente em 1987 pelo Relatório Bruntland, que o definiu como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.”

O comercial abaixo, gravado apenas 20 anos após o vídeo anterior, é um notável exemplo da mudança brutal na visão ambiental da sociedade sobre a Amazônia.

Em termos históricos, os acontecimentos dos últimos 40, 50 anos na questão ambiental são muito recentes. Talvez por essa razão, até hoje não se sabe ao certo como viver uma vida assim. Então já que está em aberto, arriscarei a definir uma vida feliz neste contexto.

No modelo proposto, a felicidade que prioriza esta dimensão da vida se assemelha à dimensão anterior, Sociedade, pois entende o desenvolvimento sustentável como um bem comum.

Significa dizer que é uma vida em que suas ações práticas, hábitos de consumo e visão política priorizam o compromisso com a gestão dos recursos naturais e na construção de um ambiente para uma vida humana digna, sob a premissa do respeito aos diversos ecossistemas coexistentes.

Entre o discurso e a prática até que já evoluímos, pois agora já nos preocupamos com o desmatamento das florestas. Só que o mercado percebeu essa necessidade das pessoas deixarem de ser vilãs do desenvolvimento sustentável e criaram produtos que nos “lavam” e nos tornam ecologicamente corretos, o que é denominado greenwashing, algo do tipo “banho de loja ecológico”.

Em miudos: que parece mas não é. Além desse produtos de enganação, ainda que haja a preocupação com o consumo de produtos idôneos, estes na prática tem se tornado um grande filão do mercado.

Não interessa aos novos produtores verdes questionar os padrões de consumo fora da realidade local. Querem mesmo é ganhar dinheiro!

Trocamos lâmpadas incandescentes pelas eletrônicas de mercúrio, mais econômicas e altamente contaminantes, mas jogamos estas no lixo comum. Trocamos sacos plásticos por bolsas retornáveis no supermercado, mas continuamos a comprar carne para churrasco desconhecendo sua procedência, se são de áreas de manejo ou de desmatamento. Compramos bicicletas para reduzir a poluição do ar, mas contemplamos o sonho do carro zero – e instalamos o rack para a bicicleta, evidentemente.

Enfim, o conceito de consumo e de hábitos sociais ainda tem muito a evoluir até que a Pegada Ecológica seja incorporada de fato à cultura.

Dadas essas distorções, para se alcançar a felicidade por um desenvolvimento sustentável, é necessário subir o tom, ir além da necessidade de demanda de produtos verdes.

É preciso pensar de fato um projeto de desenvolvimento em que se consiga abrir mão de parte do conforto moderno dos poucos que tem acesso, em prol da igualdade de condições das comunidades locais para usufruir do meio ambiente, onde haja garantia do direito à terra.

Somente a lógica de mercado e a pressão de latifundiários não foram suficientes até hoje para promover o equilíbrio desejado.

Chico Mendes (1944-1988) foi um exemplo de trajetória biográfica que não se deteve apenas no que é ecologicamente correto ou em simplesmente “ficar bem na fita. Filho de pais nordestinos que foram colonizar o Acre atraídos pela produção de borracha, Chico Mendes na sua juventude trabalhava com os pais com seringueiro no município de Xapuri, lugar marcado pela carência de condições básicas e proliferação de doenças na Amazônia.

Embora o governo arrecadasse milhões de dólares pelos impostos sobre atividade econômica da extração da borracha, o governo não reaplicava nada na melhoria das condições dos habitantes. Foi então que, influenciado pelos ideais comunistas difundidos por seu tutor Euclides Fernandes Távora, um aliado de Luis Carlos Prestes e participante da Intentona Comunista de 1935, Chico começou a entender o significado da exploração dos seringueiros, a luta de classes com referencias a Lênin e Marx.

Os pilares da sua luta ambiental foram erguidos a partir da organização social dos seringueiros. Chico militou junto ao movimento sindical para difundir seus ideais sobre os direitos da terra e organização sindical.

A Igreja Católica teve importante papel na trajetória de Chico Mendes, foi militando nas comunidades eclesiais de base que Chico cultivou lideranças (uma dessas aliadas era Marina Silva, então monitora das comunidades eclesiais de base) e um combativo senso de propósito entre os isolados habitantes da floresta.

Conforme crescia a especulação das terras no Acre no final  dos anos setenta, os trabalhadores começaram a se organizar para a tarefa de impedir os cortes das árvores.

Como fruto deste movimento, a comunidade internacional enfim começava a se sensibilizar e se articular para exigir do governo brasileiro uma  postura mais rígida com relação às queimadas e desmatamentos na Amazônia. O conflito entre os dois modelos de desenvolvimento, um baseado na pecuária extensiva e outro baseado no extrativismo dos recursos florestais parecia que caminhava para um desfecho de entendimento entre as partes.

Chico Mendes era figura mais atuante no movimento sindical e ambientalista. Porém acreditava que uma atuação político-partidária seria uma forma de fortalecer o  movimento e garantir as melhorias para os seringueiros.

A luta de Chico Mendes pela preservação do modo de vida dos seringueiros e conservação da floresta amazônica chamou a atenção do mundo. Em julho de 1987, Chico Mendes recebe o prêmio global 500, concedido pela ONU às personalidades que mais se  destacaram na defesa do meio ambiente. Ainda assim, o desfecho da luta acirrada entre os seringueiros e os fazendeiros culminou no seu assassinato em 1988, aos 44 anos. (¹)

Chico foi um homem de vanguarda e é até hoje um exemplo de vida dedicada à luta pelo desenvolvimento sustentável, antes mesmo desse conceito ter sido inventado. Todavia, como podem notar, levantar essa bandeira é mais do que vestir uma camisa verde com dizeres vagos e abraçar árvores nas pracinhas, ou somente basedo em mudanças de hábito e atendimento à novas demandas de mercado – como se este mercado não fosse questionável.

Significa o despreendimento da zona de conforto dos nossos dias, onde prevalece o interesse individual na busca de benefícios pessoais e rentáveis no tempo presente. Significa o compromisso em mobilização social em favor desta importante causa.

O planeta grita em silêncio pedindo socorro e precisa de vozes humanas, para que, através destas pessoas, ecoem da Terra os clamores pela necessidade de promover uma nova prioridade no desenvolvimento, no qual a busca da felicidade se dá a partir da conquista de um modelo pleno de desenvolvimento sustentável para todos.

Quem está disposto a encontrar sua felicidade neste caminho?

Deixe seu comentário ou opinião no blog ou na página do Facebook. Curta a página!

Bem… encerrada esta série oito artigos sobre pessoas com vidas felizes, no próximo post explicarei o porquê de estar fazendo papel de psicólogo e sociólogo para construir uma arquitetura da felicidade.

Sigam-me os bons!

——————-

Nota (¹):  O texto da biografia foi reproduzido parcialmente do link indicado como fonte biográfica.

30 segundos

Estou quase terminando o último artigo da série Talentos da Felicidade.

Fique ligado! Já já eu publico! Logo após os comerciais. (assista abaixo).

 

Talentos da Felicidade – Parte 7: Sociedade

Neste penúltimo artigo da série, falaremos da busca de uma vida mais feliz e desenvolvida dedicada à vida comunitária, na busca da transformação do mundo exterior por ações políticas, sejam estas de Estado, organizações sociais, entidades de classe ou cooperativas. Talvez esta seja a mais subjugada dimensão da felicidade, face ao individualismo dos nossos dias e ao desinteresse pelas questões públicas. Seria esse o motivo de tantas pessoas não se sentirem satisfeitas com a vida?

Parte 7 – Sociedade e Zilda Arns

A dimensão sociedade dentro do modelo proposto significa a valorização das atividades voltadas ao bem comum. Engloba as questões do exercício da cidadania, da promoção e defesa dos direitos fundamentais, ações de proteção e solidariedade aos desamparados, participação nas ações políticas e de governança territorial, trabalhos voluntários e comunitários, engajamento em entidades civis organizadas, igrejas, cooperativas e associação de pessoas, campanhas filantrópicas e demais atividades relacionadas com a comunidade, seja qual for a escala.

Em tempos de bonança que vivemos, onde há muitos anos vivemos em ausência de guerras em nosso continente sul-americano, onde as ameaças da tirania e a opressão das ditaduras e a bipolaridade mundial dos sistemas econômicos ficaram no século passado, e temos direitos e liberdades garantidos por Constituição Federal democrática, esse papo de engajamento perdeu seu encanto, posto que se vive uma era sem ideais comuns congregadores.

Sendo assim, o pensamento na sociedade se restringe ao cumprimento da obrigação de votar, fazendo da urna um depósito no qual colocamos o nosso problema dentro e tratamos como se não fosse problema nosso.

Quem já não ouviu a máxima: “os políticos é que têm que resolver, eu votei e eles estão sendo pagos para resolver esses problemas”. Isso quando o sujeito vota, pois tem a máxima daquele que anula o voto e diz: “o povo votou nesse políticos e veja o que dá; por isso é que não voto” (como se aquele que diz isso não fosse povo, deve ser um E.T.).

Mas, saindo da política de Estado, e eleição de síndico, alguém se interessa?

E debates em entidade de classe? Assembléia de sindicato para aprovação de acordo coletivo ou declaração de greve, então…. quando podemos nos abster disso assim o fazemos em via de regra.

A felicidade como a busca do bem comum da sociedade segue o caminho oposto à lógica anterior. Esta busca da felicidade parte do princípio de que o indivíduo pode ser mais feliz ao deixar de pensar só em si mesmo; de que vale à pena lutar pela justiça social ao entender que não é possível que um só seja feliz no meio de um mundo de desigualdades e de privação de direitos e liberdades; de que a competitividade e o individualismo são incapazes de substituir ou superar a cooperação e a solidariedade.

Zilda Arns (1934-2010) foi um grande exemplo de que tudo isso que me referi não é uma utopia ou capacidades de pessoas super-poderosas.

De acordo com sua biografiasua carreira de médica foi guiada à atuação junto à saúde pública infantil, iniciada no estado do Paraná, onde assumiu importantes cargos e projetos de saúde e campanhas de vacinação. Em 1983, Zilda Arns e Dom Geraldo Majella, à época Arcebispo de Londrina, fundaram a Pastoral da Criança, organização social ligada a CNBB, instituição da Igreja Católica.

Foi então que Zilda desenvolveu a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João (Jo 6, 1-15).

A educação das mães por líderes comunitários capacitados revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças facilmente preveníveis e a marginalidade das crianças. De acordo com dados de 2011, a Pastoral da Criança tem cerca de 200 mil voluntários engajados no atendimento de mais de 1,4 milhão de crianças pobres de 0 a 6 anos (15% das crianças pobres do país) e 1,1 milhão de famílias e está presente em 70% dos municípios do Brasil.

Zilda Arns faleceu em 2010 quando estava em missão humanitária para implantar a Pastoral da Criança em Porto Príncipe, capital do Haiti, num terremoto que devastou o país caribenho. Sua morte teve repercussão internacional naquela ocasião.

Esta trajetória da Pastoral da Criança é um exemplo de que um trabalho que tem o objetivo o bem comum exige daqueles que acreditam um trabalho sério, ético e um espírito abnegado. Mas construir um trabalho social nos nossos tempos é uma tarefa das mais árduas, devido a falta de credibilidade das pessoas nas instituições.

Quem se propõe a lutar pelo bem comum é visto muitas vezes como um espertalhão, que quer levar vantagem em tudo, ganhar dinheiro das doações, se auto-promover a algum cargo eletivo, ganhar contratos públicos, sonegar imposto de renda.

A felicidade como valorização do bem comum significará na prática uma luta contra grandes moinhos de vento: contra o espírito individualista e competitivo, contra a cultura da corrupção, contra os estigmas das instituições desacreditadas.

Os abnegados revestidos de Dom Quixote, serão ridicularizados, chamados de loucos e serão a cada dia postos à prova, ou terão que morrer em favor de uma causa, como Zilda Arns.

Vale a pena? Não sei se pra você, leitor. Mas ainda bem que existem poucos corajosos que lutam por todos nós, medrosos e acomodados.

A luta continua. Vamos, companheiro? Deixe seu comentário ou opinião no blog ou na página do Facebook. Curta a página!

Fecharemos esta série no próximo artigo, onde será discutida a dimensão ambiental da Felicidade.

Sigam-me os bons!

Rede de Parceiros da Felicidade

Fonte: iStockPhoto

Caros leitores,

Inauguraremos esta semana uma nova fase deste blog.

O tema felicidade, como podem perceber, é um vasto assunto que permeia diversas dimensões da vida e atividades relacionadas a lugares, cidades, arquitetura, relacionamentos, hábitos. Mas ele faz um verdadeiro sentido se a felicidade for compartilhada e aplicada às atividades. É preciso sair da teoria para a prática, para que a praticando possamos compartilhar esse ideal inspirador.

Até o presente momento eu vinha utilizando a ferramenta blog como um depósito do conhecimento que tenho sobre o assunto, como num caderno de folhas brancas. O motivo principal era escrever o que penso para que ao ler possa entender o que pensei e escrevi, e assim finalmente aprender. Mas blog não é livro. Resolvi então acordar para o século XXI e usar a internet a meu favor.

O Arquiteto da Felicidade evoluirá. Não seremos somente um blog, mas uma plataforma de compartilhamento da felicidade. Queremos nos associar a lugares e pessoas que valorizam um tipo de vida mais feliz e desenvolvida.

Vamos criar a Rede de Parceiros da Felicidade, associação livre de comércios e serviços que acreditam no tema deste blog e desejam compartilhar gratuitamente produtos e brindes ao clientes e leitores, abrindo aos mesmos a possibilidade de se identificarem e de inspirarem com o tema.

Deixo aqui o meu convite: Leitor, siga a página do Facebook e aguarde a distribuição de brindes; Empresa, acesse o link www.arquitetodafelicidade.com.br/parcerias para mais informações e junte-se a nós.

Felicidade é um bem gratuito. Quanto mais compartilhamos, maior ela fica.

Sigam-me os bons!

:: Robert Jeferson de Melo e Silva :: Arquiteto da Felicidade ::

Talentos da Felicidade – Parte 6: Cultura e Lazer

Nos artigos anteriores já refletimos sobre cinco dimensões da felicidade: dinheiro, saúde, educação, trabalho e amigos. Antes de dar continuidade vamos fazer um breve balanço dos anteriores.

Eu já havia comentado que as três dimensões iniciais – dinheiro, saúde e educação – são aquelas que contribuem diretamente para a expansão das capacidades individuais, devido a característica de serem objetivos e recursos que empenhamos na busca de uma vida mais feliz e desenvolvida.

Essas duas últimas – trabalho e amigos – podem ser caracterizadas como dimensões voltadas para o bem-estar da vida social – que defino como a necessidade do indivíduo em ter uma boa reputação em relação ao grupo a qual pertence. Uma boa reputação é capaz de apoiar as ações e promover o aumento da auto-estima e o estreitamento de laços afetivos e/ou funcionais.

O desejo de trabalhar e ser bem-sucedido e reconhecido ou de criar laços de amizade e afeto não incrementam os recursos empenhados, pois estão ligados à reputação perante a sociedade.

Neste entendimento, a necessidade de ter um trabalho não está diretamente ligada a necessidade de ter mais dinheiro, pois a dedicação a um trabalho com significado pode ser espontânea e gratuita – como é o caso deste que vos escreve e não está um centavo mais rico escrevendo textos.

Mas se a visão do trabalho for empregada como o modo de ter mais dinheiro, o trabalho não é objetivo, é meio.

Dito isso, seguiremos adiante a falar da sexta dimensão que pode ser igualmente priorizada na busca da felicidade: a cultura e o lazer. E aí poderão entender por que fiz esse preâmbulo todo.

Parte 6 – Cultura e Lazer e Regina Casé

Esta dimensão da felicidade poderia ser chamada de “Bom Uso do Tempo Livre”. Entendo ser possível avaliar a felicidade de uma pessoa a partir da capacidade de gerenciamento e a qualidade de emprego do tempo livre com atividades que tragam sensação de alívio de estresse e bom humor.

Ainda que se deseje simplesmente não fazer nada e dormir, se esta atividade está ligada ao bem-estar pessoal, o descanso também poderá ser considerado uma atividade positiva para uma vida feliz.

De modo geral essas atividades são consideradas um alento ou recompensa de uma rotina de trabalho ou estudo extenuantes. Buscamos essas atividades num tempo livre como válvula de escape para o nosso estresse e ansiedade. Sair da rotina, viajar, ler um livro, visitar um museu, ir ao cinema, teatro são hábitos importantes para a higiene mental.

Mas neste enfoque eu estaria priorizando o trabalho, e não é este o exemplo que quero explicar.

A felicidade através dessa dimensão consiste em dar maior significado ao tempo livre. Uma vida que prioriza esta atividade evidencia a necessidade de se abrir a novas descobertas e ampliação de horizontes, na busca de uma vida dedicada as experiências culturais, de lazer e descanso.

As atividades que despertam o lado lúdico, festivo e criativo, em sendo elevadas à condição de objetivo, não são mais recompensa de uma vida de trabalho opressora, mas são desejos que nos enchem de expectativa e fazem valer a pena carregar o fardo.

A atriz e apresentadora Regina Casé pode ser considerada um talento nesta dimensão, devido ao seu espírito dedicado a descobertas e abertura a novas experiências. O texto de introdução da biografia resume e dá significado à sua escolha neste artigo:

“Poucos artistas brasileiros são tão identificados com o povo, com a periferia, como Regina Casé. E poucos nomes deixam uma trajetória tão divertida e coerente pela televisão, levando risadas, dignificando os mais carentes e abrindo espaço para que eles registrem suas vontades, anseios, gostos e reclamações”

Sua carreira no teatro, cinema e televisão poderia ter sido mais objetiva e voltada ao desenvolvimento das artes do seu mestre Sérgio Britto ou em seus programas de sucesso. Mas a partir do fim da TV Pirata, ela sentiu a necessidade de colocar na televisão as pessoas de universos diferentes, ligadas em especial à gente da periferia.

A partir de então, Regina emplacou uma série de programas que tinham esse propósito: buscar o ambiente popular e colocá-lo como protagonista. Nesta linha seguiram uma série de programas, como Programa Legal, Brasil Legal, Muvuca, Um pé de quê?, Central da Periferia e, por último o Esquenta.

Todos os programas mostraram ao público espectador a descoberta de personagens, lugares, anseios e lutas sociais, musicalidades, artes, arquiteturas, paisagens, etc., colocando na população o desejo de descobrir e se encantar com as curiosidades regionais, e nos populares, o desejo de se apresentar ao mundo com dignidade, sem ter a vergonha de ser feliz.

Um modo de vida que coloca a felicidade na busca por experiências culturais e de lazer exige entre outras coisas um amplo domínio sobre o uso do tempo, visto que, em especial para os que não são artistas, há uma predisposição inicial muito limitada, que dirá em aumentar o tempo dedicado a estas atividades.

Na maioria das vezes é preciso repensar trajetória de trabalho, com carga horária reduzida e ganhando até menos dinheiro, reduzindo a sua importância em significado para que possa voltar o olhar para as novas descobertas, em sair da rotina.

Isso não é uma utopia. Já existem pessoas que fazem essa opção de vida.

Quando as férias não são suficientes para rever a vida, algumas pessoas, em geral diretores executivos, pedem desligamento no topo da carreira para passar por um período sabático e repensar o sentido da vida na busca de novas experiências, de forma a recarregar as baterias para novos desafios futuros, ou mesmo mudança de vida.

E nem sempre os amigos e familiares entenderão de imediato esta opção – por isso fiz a recapitulação, pois sempre é preciso contrabalançar as opções verificando as demais dimensões que se associam.

E aí, qual é o tamanho do seu cansaço? Prefere se consumir numa vida com tempo para o lazer, cultura e descanso, na busca de uma felicidade na descoberta de novas experiências sócio-culturais?

Deixe seu comentário ou opinião no blog ou na página do Facebook. Curta a página!

A seguir o tema será Sociedade!

Sigam-me os bons!

Talentos da Felicidade – Parte 5: Amigos

Neste quinto artigo da série, vamos observar uma maneira singular de busca da felicidade que vem mostrando seu valor: a felicidade através dos relacionamentos pessoais e amigos.

Antes, porém, é preciso explicar a palavra “amigos” no contexto de dimensão do tipo de vida do modelo de felicidade equilibrada que venho desenvolvendo nesta série.

De acordo com o que verifiquei no Wikipédia, a palavra amizade admite duas definições. A amizade strictu sensu é definida como “uma relação afetiva, a princípio, sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas”; a amizade lato sensu é definida como “é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo”.

Neste aspecto, pode-se dizer que uma relação entre pais e filhos, entre irmãos, demais familiares, cônjuges ou namorados, pode ser também uma relação de amizade, embora não necessariamente.

Sendo assim, neste caso estarei explicando a felicidade pela dimensão lato sensu da palavra amizade, pois é sobre os relacionamentos humanos afetivos onde se concentrará toda a explicação e a lição que o talento associado nos traz.

Parte 5 – Amigos e Mark Zuckerberg

Entre os artistas, poetas e compositores de músicas parece haver uma unanimidade quanto a importância das relações afetivas na felicidade das pessoas, haja vista a infinita capacidade deste tema de fomentar obras artísticas expressivas ao redor do mundo. Outrora o maestro Tom Jobim ousou proclamar: “É impossível ser feliz sozinho”.

Com efeito, o ser humano tem a necessidade vital de estabelecer relações com os demais grupos. É uma condição esta que existe desde as tribos pré-históricas: a cultura das relações funcionais, de confiança, de lealdade, de proteção. E desde então, isso vem sendo aprofundado para as questões afetivas, de afinidade, admiração, de respeito, de amor.

Neste raciocínio, a nossa sobrevivência sempre dependeu da construção de laços com demais pessoas. A partir da seleção natural dos nossos ancestrais, os mais fortes também foram os mais leais e construíram afeto, história essa que foi construída ao longo do tempo e hoje se torna presente intuitivamente.

Nos nossos dias a necessidade de construir laços fortes de relacionamento está ligada diretamente a questão do bem-estar psicológico e da resiliência emocional, pois para superar as dificuldades da vida ou para celebrar coisas boas é importante a presença das relações de apoio, quais sejam familiares ou de convivência diária nos ambientes que habitamos e adquirimos um senso de pertencimento.

Deste modo, uma vida feliz pode ser obtida pela qualidade e estabilidade das relações pessoais para o controle das emoções e sentimentos.

Assim como as demais dimensões, não se deve confundir o processo de construção de relacionamentos com a necessidade de ser popular e ter notoriedade.

Nesta era de redes sociais, de proliferação de conteúdos e dos hits de internet que se tornam memes (“Para nossa alegria”, “menos Luiza que está no Canadá”, “ninguém me tucuta” (sic), etc.), o usuário assumiu um poder de acumular seguidores por afinidade, de modo que “ter um milhão de amigos”, como preconizava Roberto Carlos, se tornou viável (ainda que distorcendo a mensagem original da música) a partir da quantificação de usuários em que se pode transmitir conteúdos e sentimentos.

No entanto, a coleção de amigos de redes sociais se dá apenas pelo aspecto utilitário das pessoas conectadas. Isto é, tenho o poder de ser amigo de quem pode ser útil aos interesses individuais de consumo; como consumidor, tenho o poder de comprar, consumir e descartar.

A relação de amizade verdadeira, por sua vez, supera o entendimento utilitário, pois não se conquista lealdade e confiança num ambiente efêmero e fugaz, tampouco a resiliência emocional e a estabilidade das relações a que me referi acima.

Mark Zuckerberg percebeu esta relação do senso de pertencimento nos grupos durante sua vida universitária em Harvard e o quanto ela era importante para a auto-afirmação das pessoas. No filme A Rede Social, obra de ficção baseada na sua biografia, o cenário social se caracteriza na importância, para os jovens, de pertencer a um grupo na sua vida social.

Tão importante para os jovens como era também para Zuckerberg, esta foi a motivação inicial do protagonista. Para isso, ele viu a necessidade de criar um ambiente controlado se baseadando em quatro condições básicas sobre as relações sociais: 1º) A necessidade de fazer parte de um clube (através de cadastro ou convite); 2º) Manter contato com as pessoas que conhece (conexões com amigos); 3º) Saber o que estas pessoas estão fazendo (timeline); 4º) Quem está interessado(a), tem ou não namorado(a), ou se está interessado(a) em alguém, entre outros (status, compartilhamento, fotos, etc.).

Esta visão concatenada criou o Facebook, a maior plataforma de rede social do mundo, com mais de 800 milhões de usuários ativos.

Este sucesso na criação do ambiente de rede social não foi suficiente para que ele criasse mais amigos para si. Ao contrário, ele teve muitos problemas e processos judiciais nas costas, mas se tornou um dos CEOs mais populares e admirados e dono de uma das empresas mais valiosas do mundo.

Ainda que os fins (ter amigos) não tenham se correlacionado com os meios de seu sucesso (inventar o Facebook), devemos atribuir a Zuckerberg o sucesso de ter colocado sua vida na busca de uma felicidade que teve como prioridade a construção de um ambiente novo para as relações sociais a partir da sua percepção e da necessidade crescente de estarmos conectados.

O sucesso e o fracasso caminharam lado a lado nesta opção de Zuckerberg de priorização para os relacionamentos, pois esse ambiente conduziu lado a lado as coisas boas e ruins: as necessidades afetivas vitais ao lado do narcisisimo e a superexposição em busca da popularidade.

Entendo que é assim também para os menos talentosos, porque este tipo de priorização é o que menos há condições de gerenciamento por parte da pessoa que faz essa opção. Se há o desejo de se viver uma vida em função da construção de relações sociais agradáveis, o sucesso não depende exclusivamente de seu próprio esforço.

É uma opção de alto risco, pois nem todos os seus amigos e familiares pensam da mesma forma. A pessoa corre risco é ser alvo de discriminação pelo próprio grupo de pessoas, seja por acharem que lhe falta de ambição na vida, ou ainda por se sentirem sufocados por tanto zelo.

A solução para esse dilema está no modo que conseguimos nos adaptar as mudanças e amadurecimentos que os relacionamentos passam ao longo do tempo, bem como na capacidade de renovação e na busca por encontrar novos amigos ao longo da vida. Precisamos ser generosos com nossos sentimentos para que eles se fortaleçam e se preparem para as novas surpresas no decorrer da vida.

Porventura o melhor amigo da sua vida não poderia estar ainda por vir?

E você, acredita que felicidade é ter amigos pra contar? Gostaria de viver uma vida de relacionamentos felizes e verdadeiros?

Deixe seu comentário ou opinião no blog ou na postagem da página do Facebook.

A seguir o tema será Cultura e Lazer!

Sigam-me os bons!

Talentos da Felicidade – Parte 4: Trabalho

Neste quarto artigo da série, será abordada uma dimensão que é bastante sensível às expectativas de felicidade de grande parte das pessoas: o trabalho. Vamos entender de que forma podemos nos identificar com o talento selecionado e o modo que a prioridade deve ser orientada.

Continuar lendo Talentos da Felicidade – Parte 4: Trabalho

Talentos da Felicidade – Parte 3: Educação

Este terceiro artigo da série abordará a Educação como prioridade para se alcançar uma vida mais feliz.

A dimensão Educação, da mesma forma que a Saúde e o Dinheiro, tem a caraterística de ser ao mesmo tempo uma dimensão a ser valorizada e um recurso disponível a ser empenhado. O foco depositado nestas três primeiras dimensões está intrinsecamente associado a busca de uma vida conservadora, voltada para a expansão das capacidades (financeiras, de tempo e habilidades) indíviduais para que possam exercer ponderadamente sua condição de cidadão.

Da mesma forma que os anteriores, vamos observar o talento associado e de que forma sua vida foi orientada.

Parte 3 – Educação e Paulo Freire

A educação pode ser definida como o processo de ensinar e aprender. Sendo um processo, é subentendida a existência de conhecimento e valores que são selecionados, apreendidos, aplicados, experimentados e repassados conforme o período mais apropriado para a pessoa.

Existe, pois, uma relação dependente entre si de acumulação de conhecimento com a prática vivente e com a sustentabilidade – garantir o acesso ao conhecimento para as gerações futuras continuarem a desenvolvê-los. Mas será esta a educação que é buscada como prioridade?

Nesta semana o jornal britânico The Huffington Post publicou artigo de Sarah Brennan sobre o assunto educacional, com a seguinte questão: “Que tal prepararmos crianças e jovens para a vida e não apenas para o mercado de trabalho?”. O artigo critica severamente o modelo de educação, afirmando que este transformou as escolas em “fábricas de provas” e os alunos, em peças de uma linha de montagem, preparados para o melhor desempenho acadêmico.

Vive-se diante de uma distorção do conceito educacional, que definiu o processo educativo como mero atendimento à demanda de mercado e de foco em produção e resultados. Estamos nos enchendo de títulos de diversos níveis, graduações, especializações, cursos de aperfeiçoamento, habilidades técnicas, idiomas, na ânsia por dar conta das exigências crescentes do setor produtivo.

Sarah Brennan alerta que questões como o bem-estar e resiliência emocional (capacidade psicológica de lidar com questões mentais e emocionais nos relacionamentos sociais) são negligenciadas na educação de crianças e jovens.

O compromisso com a educação como prioridade não se basta no processo de capacitação e treinamento de pessoas, se estes não estiverem alinhados a lógica sustentável referida.  Há de se considerar ainda o compromisso de produzir conhecimento, aperfeiçoá-lo e colocá-lo a serviço da sociedade.

Dentre os talentos que selecionei, Paulo Freire (1921-1997) talvez tenha sido o ilustre mais desconhecido da população geral – o que pode ser entendido como um sintoma da falta de importância que o Brasil tem dado ao assunto. Entretanto, é importante dar luz a este talento, que começou sua carreira como um aluno da faculdade de direito, mas que acabou seguindo um caminho diferente: como um educador.

Seu pensamento tem como base a educação libertadora, na qual defendia uma pedagogia em que a pessoa tenha condições de descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica. Em seu livro “Educação como Prática da Liberdade”, Paulo Freire fez uma crítica à educação tradicional no Brasil, e defendeu que seria necessária uma educação para decisão, para uma responsabilidade social e política.

Educação que o colocasse em diálogo sempre com o outro, através de uma visão crítica e não apenas passiva.

Freire concebeu um processo pedagógico de educar o sujeito histórico e politizado dentro de uma análise crítica da sociedade¹ . Seu pensamento guiou a prática de métodos educacionais renovadores, tendo como um de seus mais notáveis trabalhos suas primeiras experiências no Rio Grande do Norte, em 1963, quando ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias.

Pessoas com o talento voltado para a priorização da educação tem como visão orientar sua vida para um desenvolvimento exterior. A partir de uma descoberta do seu intelecto, esta cria uma necessidade interior que impulsiona o indivíduo a compartilhar, convencer e ensinar seu conhecimento, de modo que este conduza as ações transformadoras daqueles que pertencem ao seu entorno.

Esta postura é radical e de enfrentamento diante do paradigma da linha de montagem, o que pode acarretar numa felicidade que não será aparentemente a mais agradável ao sistema nem à sua própria condição pessoal – Paulo Freire teve que viver exilado por 15 anos durante o regime militar.

A felicidade como educação é uma postura ideológica e suas ações são inevitavelmente políticas e voltadas para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. É preciso coragem e perseverança na ação política, no campo educacional, nas escolhas e engajamento pessoal na educação continuada das futuras gerações, de modo que se possa construir os Quatro Pilares da Educação, segundo o relatório da UNESCO: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser.

Mãos à obra!

E você, teria disposição de arregaçar as mangas e buscar a felicidade como educação critica e transformadora?

Deixe seu comentário ou opinião no blog ou na postagem do meu perfil do Facebook.

A seguir o tema será o trabalho. Aguarde!

Sigam-me os bons!

_____________

¹ O comentário sobre o livro foi extraído parcialmente do artigo publicado em: http://goo.gl/8KIuY

Talentos da Felicidade – Parte 2: Saúde

Neste segundo artigo da série, abordarei uma das dimensões considerada por muitos como a mais importante a ser valorizada: a Saúde. Entenda essa dimensão e o talento associado a esta priorização.

Parte 2 – Saúde e Dráuzio Varella

É óbvio deduzir que ninguém é feliz quando está doente e uma vida saudável traz felicidade. Pessoas que tem esse propósito e colocam a saúde como prioridade, são prudentes e optam por um estilo de vida que valorize a longevidade.

Esse tema é tão sensível as pessoas que os marqueteiros apelam em suas propagandas a promessa de que seu produtos promovem boa saúde. Por isso é necessário desfazer algumas das confusões que eles criaram.

Não se deve confundir “longevidade” com “prolongamento da juventude”. A busca pela saúde que nos leva a longevidade não é necessariamente realizada pelo desejo da boa forma.

Trocando em miúdos: próteses de silicone, cirurgias plásticas e terapias estéticas, dietas fantásticas de perda de peso, suplementos para hipertrofia muscular, eliminação de rugas, nada disso pode ser considerado como ação por uma vida saudável, posto que em geral são preocupações que tem o horizonte de tempo imediato e não há comprovação nenhuma que essas práticas contribuam em longo prazo para a expectativa de vida – salvo raras exceções quando estas ocorrem por orientações médico-terapeuticas sérias.

A promoção da felicidade pela saúde passa pela promoção da cultura do bem estar, independentemente da idade, através de hábitos saudáveis, controle de peso e das taxas sanguíneas, medicina preventiva e atividades físicas regulares.

Passa também por criar um ambiente que promova a saúde mental para si, para a família, no dia-a-dia, no ambiente de trabalho, nos locais frequentados, de modo que eles permitam e potencializem a felicidade e o conjunto das dimensões da vida feliz.

Neste contexto, Drauzio Varella surge como exemplo de pessoa que obteve notoriedade em todo o país pela disseminação dessa cultura do bem-estar a que me referi. Sua biografia mostra que todos os seus anos de sua carreira como médico oncologista e diretor de hospital não foram o suficiente para promover a felicidade de seus pacientes.

Foi quando em 1986 ele se associou ao jornalista Fernando Vieira de Mello para iniciar campanha de esclarecimento sobre a Aids na rádio 89 FM e na Jovem Pan em São Paulo. O sucesso na mídia de massa fez com que ele ganhasse notoriedade até chegar a ser atração do Fantástico, da Rede Globo, onde apresenta regularmente uma série de quadros sobre saúde e prevenção de doenças.

Pessoas com talento na questão de saúde precisam buscar na prioridade da sua vida o auto-conhecimento pleno, de forma a reconhecer as capacidades e limitações, na medida certa, que garantam a maior longevidade possível, buscando uma vida regrada, evitando exageros que comprometam o bom funcionamento do corpo, mente e alma e assim conseguir trabalhar todas as demais dimensões não priorizadas.

Mas na prática a coisa muda um pouco de figura, pois geralmente preterimos os cuidados com a saúde em prol das outras dimensões.

Querem um exemplo: quem já não teve que deixar de comer, beber água e ir ao banheiro por causa de um trabalho urgente que não poderia ser interrompido? E qual é o preço dessa atitude no longo prazo? Gastrite, úlcera, cólicas, cistites, cálculos renais, etc. – detalhe: falo de necessidades fisiológicas básicas do ser humano!

Outro exemplo, beber todas numa noitada e sair pra “pegar geral”, varar a madrugada só para curtir. As consequências no longo prazo são o risco de alcoolismo, de contrair DST, de degradação mental por não conseguir saciar as frustrações, pertubações, etc.

Cumprir regras é algo que nunca gostamos de fazer. E essa necessidade de regras faz dessa dimensão da felicidade , na minha opinião, a mais difícil de cumprir. Moral da história: até para o óbvio é preciso talento.

E aí, vai encarar a busca da felicidade como saúde e longevidade? Deixe seu comentário ou opinião no blog ou na postagem do meu perfil do Facebook.

A seguir o tema será a educação. Aguarde!

Sigam-me os bons!

Talentos da Felicidade – Parte 1: Dinheiro

Venho propor uma reflexão sobre o mosaico que criei acima. As oito palavras ou expressão são as dimensões do tipo de vida que o ser humano valoriza e busca atender com seus recursos de modo a atingir a felicidade. Cada personalidade associada à dimensão representa casos de sucesso de pessoas de talento que alcançaram exito priorizando dimensões diferentes. Suas escolhas revelam nos nossos dias como bem sucedidas, tornando cada um deles uma referência na sua dimensão.

Ressalto que esta lista não tem caráter de elegê-los como os melhores, pois estaria certamente cometendo injustiças. Escolhi cada um apenas pelo critério de popularidade para facilitar o raciocínio.

O que quero dizer com isso? Acredito que o êxito na busca de uma vida mais feliz e desenvolvida passa pela priorização de uma das escolhas e remediando as outras, assim como eles os fizeram. E um critério importante é descobrir o próprio talento e orientá-lo para a prioridade escolhida. Ou seja: os valores orientam a prioridade e o talento coloca a prioridade à prova e ratifica a escolha.

Nesta série de oito artigos tentarei abordar com mais detalhes este conceito, apresentando os talentos dessas pessoas associados ao tipo de vida que incorre na escolha da prioridade pelo talento. Comecemos pelo dinheiro.

Parte 1 – Dinheiro e Eike Batista

Num primeiro momento, a priorização desta dimensão como norte para a felicidade pode ser interpretado como materialismo, consumismo, futilidade, egoismo, pois temos a idéia de pessoa que não gasta dinheiro e coloca tudo debaixo do colchão, ou como o avarento de Molière.

Não é desse tipo de gente que falo, pois não há talento em juntar dinheiro, mas na felicidade que consiste em construir riquezas e promover a prosperidade.

Eike Batista é um exemplo desta visão. Integrante da lista das 10 maiores fortunas do mundo, Eike tem consigo o desejo chegar ao topo, uma enorme ousadia para um sujeito nascido fora do mundo desenvolvido e do poços de petrróleo do Oriente Médio. Sua biografia mostra que a fortuna que construiu e que não para de crescer é fruto de uma enorme habilidade com os negócios e uma visão empreendedora, a Visão 360º, que o impulsiona a fazer seus investimentos com ousadia e inteligência.

O resultado desta visão fez com que sua fortuna fosse maior que o seu colchão, expandindo-se ao território e impactando na vida de seus funcionários, governos e habitantes locais, transformando fortemente a realidade.

Pessoas com talento empreendedor que tem consigo o desejos de prosperidade necessitam empenhar sua vida na busca do acúmulo de recursos e investimentos sérios, de modo que a riqueza acumulada seja necessária e suficiente aos investimentos prioritários e no atendimento as outras dimensões importantes não priorizadas, que compensassem a ausência da família (Eike viveu na Europa na adolescência para conseguir meios para empreender) e seus relacionamentos pessoais (é separado e tem três filhos).

Realmente é um preço alto que nem todos estão dispostos a pagar. Transcrevo abaixo um trecho do artigo de Luiz Fernando Emediato, um jornalista que contemplou a vida de Eike Batista, mas não seguiu na integra, prefeiru ater-se aos princípios de sua felicidade:

“O atrevido Eike afirma que é livre para selecionar suas amizades, faz o que quer com seu dinheiro e se orgulha disso. Eu faria a mesma coisa. Quando cruzei com ele comprando ouro em Itaituba, há 32 anos – aquele rapaz magrelo, com botas e chapéu-, confesso que pensei em seguir seu exemplo. Infelizmente, continuei apenas jornalista e editor; como tal, não tenho dinheiro nem avião para emprestar, mas apenas princípios e histórias para contar. Com meus princípios, convicções e palavras, eu faço o mesmo que Eike faz com o dinheiro dele. Ou seja: são meus, faço com eles o que bem quero, sem prestar contas a ninguém. E me orgulho disso”.

A busca da felicidade como riqueza e prosperidade: é a sua também? Deixe seu comentário ou opinião no blog ou na postagem do meu perfil do Facebook.

A seguir o tema será a saúde. Aguarde!

Sigam-me os bons!