Vivendo a conectividade

No início da era da informática popular, compreendida entre o advento do computador pessoal e início da Internet para usuários domésticos (no Brasil, ocorrida a partir da década de 1990), era bastante comum o uso dos termos “mundo real” e “mundo virtual” para definir os dois ambientes criados, isto é, que co-existem, são complementares, mas que seriam até então mundos separados, desconexos, diferentes.

Entretanto, neste tempos recentes parece não haver um limite entre a vida real e virtual. Criou-se uma dependência social de estarmos conectados em tempo real com o mundo a partir das novas tecnologias da informação, cada vez mais presentes e participantes da nossa mobilidade.

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Será que já raiou a Liberdade?

Nestes últimos dias tive uma nova percepção na abordagem sobre a felicidade a qual me propus a divulgar. Desde a monografia venho idealizando um modelo coletivo baseado em: (1) reconhecimento dos recursos disponíveis e suas limitações , (2) estabelecimento das dimensões do tipo de vida que a pessoa decidiu valorizar, e (3) empenho dos recursos em todas as dimensões, sob orientação dos valores éticos, morais e sociais eleitos. Foi então que vi que existe uma condição indispensável nas escolhas e decisões para a busca da felicidade: a liberdade.

É preciso liberdade para alcançar verdadeiramente o entendimento dos recursos e limitações e garantir o controle dos mesmos. É preciso liberdade para estabelecer o tipo de vida. É preciso liberdade para empenhar recursos e para professar os valores que julgamos importantes. Um modelo de felicidade não é eficiente quanto aplicado para um indivíduo que tenha privações de liberdade, e não o levará ao desenvolvimento pleno.

Um prisioneiro ou um escravo tem o desejo de buscar a felicidade, mas não o fará sem liberdade.

Quando eu me refiro ao termo “prisioneiro”, não quero dizer somente daqueles que estão atrás das grades de uma cela. São muitos os tipos de prisões as quais o ser humano é submetido. Considero as mais perigosas aquelas prisões que se disfarçam de liberdade e atacam silenciosamente os três pontos do modelo que proponho; sejam as prisões: drogas, álcool, vícios, doenças, discriminação social, preconceito, racismo, corrupção, etc. Essas prisões sociais colocam o homem na mesma condição de um encarcerado ou escravo, sendo que “livre do açoite da senzala, preso na miséria da favela”, como diz o samba da Mangueira de 1988. A diferença é que sobre estes que estão livres não houve julgamento e condenação que os colocassem atrás das grades ou acorrentados.

Esta visão nos leva ao entendimento de que a discriminação priva de liberdade raças e etnias de reconhecerem seus territórios e limitação de recursos e gera conflitos sociais, por vezes irreparáveis – exemplo disso é a questão dos paises do Oriente Médio; que o autoritarismo de modelos de beleza estampada no marketing feroz nos meios de comunicação é uma violência contra a maioria daqueles desprovidos deste padrão, privando muitas vezes o ser humano da liberdade de frequentar lugares, de se vestir como gostaria, de viver; que a falta de transparência política no empenho de recursos atenta contra a liberdade democrática e afasta aqueles que, por sua fé e valores, se vêem impedidos de participar de um processo social corrupto.

Com efeito, da mesma forma que a felicidade em se fazendo constar no direito constitucional não se tornará em si mesma uma garantia individual, é errado pensar que a lei garante a liberdade plena necessária à felicidade. Igualmente errado é atribuir ao Estado o poder de governar todas as liberdades, posto que as prisões sociais são consequências da livre escolha do indivíduo ou sociedade.

Portanto, se somos todos igualmente prisioneiros e escravos, temos uma missão: lutar diariamente contra toda tirania e opressão de nossas prisões e clamar por justiça e liberdade. Somente homens livres serão capazes de alcançar o desenvolvimento e a felicidade.

Gerenciando conflitos: a parábola do feijão com arroz

Havia uma casa no interior onde moravam um pai e duas filhas, que tomavam conta da casa, enquanto ele ia trabalhar na roça. Bóia-fria que era, o pai valorizava o jantar em família e tinha dado a ordem pela manhã antes de sair para que as filhas para prepararem arroz e feijão para a hora do jantar, e dividiu esta tarefa com cada uma das duas filhas: uma era responsável pelo arroz e outra pelo feijão.

A filha que ficou de preparar o arroz, tão logo recebeu a ordem decidiu se planejar para preparar logo pela manhã. Organizou-se em verificar se faltava alguma coisa na cozinha, separou alho, cebola, temperos, panela e já preparou a quantidade ideal para que eles jantassem e que ainda sobrasse para o pai levar pela manhã na sua marmita. Antes do meio dia ela já havia preparado tudo.

Já a filha que ficou de fazer o feijão, boa cozinheira que ela, tinha noção de que fazer essa tarefa não lhe tomaria mais que uma hora, e ela via que algumas coisas que o pai não havia lhe pedido estavam desorganizadas, como a roupa dele que estava descosturada, sua foice que precisava ser amolada e que o deixava mais cansado, entre outros detalhes que nem ele e sua irmã se importavam neste momento. Então ela optou por se dedicar a estas outras coisas e preferiu fazer o feijão às cinco da tarde, uma hora antes do pai chegar, e assim o fez.

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