Nesta semana iremos completar no Rio de Janeiro dois meses de isolamento social determinado pelas autoridades competentes de saúde pública em face da pandemia global da Covid-19 (SARS-CoV-2), ou como a imprensa costuma dizer, o novo coronavírus. Fomos colocados do dia para noite para nos refugiar em casa, devido a grande capacidade de contágio, contaminação e risco de rápido agravamento da doença e a ausência de cura.

Até o dia de hoje, a situação do Brasil é de contágio comunitário ascendente e fora de controle. Somando-se ainda às dificuldades de adesão e colaboração das pessoas que persistem em sair às ruas, já caminhamos de 15 em 15 dias na prorrogação das medidas de isolamento social.

Com efeito, visto que cada vez mais vemos adiamentos no prazo de isolamento social, quem pode hoje dizer que nossa permanência no isolamento é provisória e que logo mais iremos voltar à vida normal? Nenhum cientista, autoridade de saúde ou chefe de governo no mundo inteiro pode afirmar com certeza. Especialistas são unanimes em dizer que a normalidade só pode ser alcançada quando a vacina for desenvolvida.

E foi pensando neste cenário que resolvemos levantar este assunto aqui no Arquitetos da Felicidade. A partir desta data passamos a defender um “novo normal”: viver a vida considerando um isolamento social horizontal e prolongado.

Não vamos voltar ao normal de antes

Os atores sociais, políticos e econômicos estão buscando com todas as suas forças a busca de uma cura rápida que possa salvar a economia de um colapso sem precedentes, em face da paralisação que a pandemia impôs.

Sem levar em consideração a moralidade de determinados atos e suas crenças associadas, consideramos lógica essa atitude, pois a crise sanitária caminha lado a lado com a crise social, com aumento da pobreza, do desemprego, falência de empresas e dificuldades para toda a sociedade, de tal forma que a humanidade até então não conhece outra forma de fazer a roda girar e está em pânico diante da incerteza deste novo normal, o isolamento prolongado.

Mas em face do que a realidade nos mostra, insistir num esforço hercúleo para a volta ao normal é desperdiçar energia em ver aquilo que pode ser revisto, questionado e mudado, conforme a ocasião favorece que se faça.

Não se pode mais acreditar na volta ao normal rapidamente de forma saudável e no mesmo ritmo. Nós estamos dando este passo em direção ao novo, com medo da incerteza, mas com grandes convicções de que ao fim da travessia, a Terra Prometida não é igual ao que estamos deixando para trás.

A nova máquina de morar

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O termo “máquina de morar”, foi forjado pelo arquiteto-relojoeiro franco-suiço Le Corbusier nas primeiras décadas do século XX, que tinha a pretensão de criar uma arquitetura capaz de atender as demandas da sociedade industrial burguesa em larga escala, trazendo da engenharia conceitos de racionalização, padronização, segmentação de espaços e ideias da linha de produção para uma cidade ideal, segmentada e orientada para a velocidade. Este conceito modelou aquilo que chamamos de arquitetura modernista, cujos ecos até hoje permanecem na concepção de moradias – ainda que tenham sido grosseiramente corrompidos pelos seus sucessores e pelo mercado imobiliário.

Ainda que se considere uma ideia datada, o fato de termos colocado para dentro de casa no isolamento social funções que estavam confinadas em prédios comerciais, cozinhas industriais, escolas, igrejas, academias de ginástica, consultórios, ateliês e uma infinidade de funções, transformou a casa numa máquina extremamente desajustada em pouquíssimo tempo.

Considerando a realidade do isolamento social horizontal e prolongado, é preciso que rapidamente os moradores das casas repensem as estruturas provisórias colocadas dentro de casa e passem a adotar outra forma de organização da vida para o novo normal.

Não se trata de uma mera questão estética, filosófica ou ideológica. A nova máquina de morar orientada para o isolamento social horizontal e prolongado, precisa lidar com demandas produtivas, ergonômicas e sanitárias para que todas as funções possam ter um desempenho e eficiência compatíveis com o risco da doença e com a permanência por tempo indeterminado.

O interior das residências precisa se ajustar rapidamente para outro patamar de planejamento de permanência, visando atender a demanda crescente dos ajustes na forma de morar, trabalhar, lazer, saúde e equilíbrio.

A casa é a unica vacina disponível.

Equipamentos para uma casa mais eficiente

A nova máquina de morar do novo normal, que é a vida num isolamento horizontal social prolongado, deverá ser um local voltado preservação da vida e da saúde dos moradores, de tal forma que todas as atividades que foram internalizadas devem estar dispostas com o objetivo primário de manter altos níveis de saúde mental, física e espiritual.

A disposição dos cômodos, a posição dos mobiliários, máquinas, equipamentos, utensílios de higiene e descontaminação e demais funções da casa devem considerar essencialmente, mas sem pretensão de esgotá-las:

  • A capacidade econômica familiar de sustentar as atividades essenciais da casa
  • A presença de pessoas do grupo de risco para a doença
  • As atividades próprias de acordo com a faixa etária de cada habitante
  • A utilização de dispositivos ergonômicos para o trabalho de home office
  • A rotina de exercícios para evitar o sedentarismo
  • A adaptação do mobiliário infantil de forma a manter o desenvolvimento intelectual das crianças privadas do convívio social
  • A aquisição de equipamentos e infraestrutura de telecomunicações para ser o veículo principal de deslocamento virtual das pessoas.
  • A preparação de cômodos isolados para acolher doentes em quarentena
  • A execução de rotinas voltadas para a saúde mental e espiritualidade.

Estes tópicos precisam ser repensados considerando o isolamento social horizontal e prolongado. Até então, foram 60 dias de improviso. A partir de agora, precisamos pensar no longo prazo.

Abaixo o negacionismo e fanatismo

Negar a realidade. A quem interessa isso?

Desde 2012 temos o nome FELICIDADE neste blog e total consciência dos efeitos de uma vida mais feliz e desenvolvida através de boas ações orientadas para o bem-estar e felicidade plena. Mas, já dizia a canção: “Alegre-se irmão, felicidade não é ilusão”

Evidentemente que é preciso ser corajoso para tomar atitudes deste porte e que será necessário enfrentar resistências de pessoas que acham que isso vai passar logo, que temos que ser otimistas, ou esperar um mito ou uma força sobrenatural agir para tirar o mal do mundo.

Não somos vendedores de ilusão.

Repudiamos veementemente todas as ações que tenham a finalidade de trazer uma solução mágica, sobretudo àquelas que não consideram e ignoram intencionalmente os dados da realidade para incutir nas pessoas o comportamento inseguro.

Toda ação proposta aqui é simplesmente resiliência para preservar a vida de cada morador, com dignidade e segurança, de forma que, a partir de uma base sólida e consciente de si, cada um possa fazer sua parte em favor de todos os que vivem em situação de vulnerabilidade, fome, desemprego, doença e desespero.

Se você concorda com esta ideia, dê seu feedback e compartilhe esta mensagem de esperança.

Estamos isolados, mas não sozinhos. Vamos superar este momento juntos.

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