O desabamento em Irajá não foi acidente!

Na noite de 21 de janeiro de 2016, por volta das 18h30, ocorreu o desabamento de uma construção residencial no bairro de Irajá, Zona Norte do Rio de Janeiro, ocasionando duas mortes e três feridos, conforme informações do Jornal O Globo e do G1.

De acordo com as informações do subcomandante do Corpo de Bombeiros Roberto Robadey, a tragédia aconteceu devido à combinação de construções irregulares com a ação das chuvas na cidade, conforme destacamos na imagem.

desastre

A construção fica numa vila na Rua Quiraréia, em Irajá, Zona Norte e de acordo com o subsecretário da Defesa Civil, Márcio Motta, o terceiro andar do imóvel foi construído sem vistoria ou acompanhamento de um profissional habilitado:

“Uma edificação de três pavimentos, duas pessoas morando realmente, e um terceiro, um acréscimo ainda em fase de obras, certamente sem nenhum embasamento técnico de uma construção pra suportar esse peso todo de três pavimentos”

As informações são preliminares e serão apuradas pela Polícia Civil, que será a responsável por investigar as verdadeiras causas do desabamento. Entretanto, já podemos tirar algumas conclusões preliminares.

A cultura do improviso é a grande culpada!

Iniciamos este artigo dizendo categoricamente que não foi acidente. E não foi mesmo!

Acidente, numa definição mais especifica, tem o significado de evento danoso que acontece por acaso, por forças da natureza, por algo o qual não se poderia ter controle, que não havia como ser previsto. E absolutamente não se trata disso. O que houve foi negligência, que é o evento danoso gerado por uma ação imprudente, sem planejamento, por alguém que não tinha competência ou conhecimento adequado para fazê-lo.

O dano negligente, diferente do acidental, sempre tem uma (ou mais de uma) pessoa culpada pela ação, numa relação direta de causa e efeito. E aí precisamos ser abrangentes e colocar a culpa no atraso cultural da nossa sociedade, que privilegia o improviso e negligencia o planejamento na construção civil. Privilegiamos o pedreiro faz-tudo, o “faça você mesmo”, o mutirão familiar, o “todo mundo faz assim” e construímos uma cidade aos trancos e barrancos.

Puxadinho está em todas as classes sociais

Um outro mito que precisa ser derrubado é o de que puxadinho é coisa de favelado e pessoas que não tem educação. É um erro crasso, pois confunde questões sociais, escolaridade com cultura e estigmatiza só um lado do problema.

O puxadinho é uma solução econômica para todas as classes sociais. Desde o barraco da favela até a cobertura de frente para o mar, em cada canto dessa cidade uma obra acontece sem a presença de um profissional habilitado, devido à facilidade de acesso aos construtores informais.

Exemplo disse é que grande parte dos pedidos de legalização de puxadinhos pela Lei da Mais Valia sejam de solicitações de coberturas que fizeram acréscimo após a compra do imóvel. Estas obras foram feitas sem licença de construção, continuam sem habite-se e possivelmente enfrentam dificuldades na hora de regularização do IPTU e da escritura de propriedade no Cartório do Registro de Imóveis.

Sejam obras de ricos ou de pobres, estes puxadinhos irregulares foram executados sem a garantia profissional de um arquiteto ou engenheiro, e possuem o mesmo risco legal da obra de Irajá. Se ainda não vieram a ruir, é porque Deus não quis que acontecesse!

Vida não tem preço: cultura de segurança em primeiro lugar!

projeto de arquitetura

 

Seria muito fácil começar a criar textos verborrágicos para atacar a Prefeitura, o CREA, o CAU e São Pedro para culpá-los por todos os nossos problemas. Não, senhores! Vou apresentar abaixo a fatura para todos nós pagarmos. Abaixo colocarei uma lista de recomendações mínimas para uma cultura de acidente zero nas nossas construções:

  • Proprietário, seja o principal responsável pela sua segurança e da sua família.

Antes de começar qualquer obra que envolva em alteração da edificação, demolição, ampliação ou construção de novas edificações, consulte um profissional habilitado para assumir a responsabilidade técnica pela sua construção. Planeje suas economias para a obra considerando o custo para contratar um arquiteto ou engenheiro. Uma vida não vale o preço de uma economia tão pequena.

  • Vizinho, lembre-se de que cuidar da segurança do outro se reflete na sua vida! 

Se o seu vizinho está fazendo uma obra de construção, demolição ou ampliação num lote perto da sua casa, certifique-se de que é uma obra segura e fiscalizada por um arquiteto. Toda obra legal e segura tem que ter uma placa indicando a licença da prefeitura o profissional responsável pelo projeto e pela obra. Alerte o seu vizinho sobre os riscos e oriente o mesmo a não realizar obra sem o auxílio de um profissional.

  • Síndico, assuma a responsabilidade pelo todo! 

Não permita uma obra num apartamento sem o cumprimento da norma técnica da ABNT. Exija a RRT!. Se você mora no apartamento, avise ao síndico sobre o que ele precisa fazer para combater os puxadinhos inseguros.

  • Cidadão, garanta o senso de urgência e coloque o governo para trabalhar! 

O cidadão consciente de que a cultura da segurança é o que fará a diferença na vida de muitas pessoas precisa agir com prevenção. Entretanto, em casos onde o convencimento não foi suficiente, não podemos ser omissos. Em ultimo caso, quando identificar uma obra irregular, sem um profissional responsável, denuncie à Prefeitura através do canal 1746. Deste modo a fiscalização pública irá notificar a obra para que os órgãos competentes tomem as providências necessárias para a segurança de todos.

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