Três jogos de videogame que todo arquiteto deveria jogar

Muitos de nós ao escolher sua profissão o fazem inspirados por alguém ou alguma experiência vivida ou assistida. Esta experiência é um estímulo constante que acontece desde os primeiros passos da infância e vai sendo construído ao longo de uma vida inteira, seja por pais, amigos, pessoas, brinquedos, jogos, viagens, etc.

E são estes estímulos que despertam habilidades e vão despertar aquilo que chamamos popularmente de dom ou vocação.

No meu caso, confesso que a minha escolha por arquitetura se deu por experiência vividas em jogos de videogame e PC. Isso mesmo! VIDEOGAMES! Games jogados horas a fio despertaram em mim o desejo de ser arquiteto e urbanista.

Como explicar? Neste artigo vou listar os três jogos que acho que todo arquiteto deveria jogar uma vez na vida, pois na minha opinião eles são capazes de mostrar de forma lúdica a arte de ser arquiteto e urbanista. E acho que os jogos por si mesmos explicam a razão por ter investido na arquitetura como profissão.

1. Sim City

Comecei a jogar este jogo quando tinha uns 15, 16 anos quando tomei contato no computador de um amigo do bairro com o jogo SimCity 2000. E fiquei encantado com a possibilidade de construir uma cidade “tridimensional” (na verdade era em perspectiva isométrica, mas eu era uma criança, né), projetar ruas, prédios, transporte público.

Mas como não tinha computador em casa, comprei de um colega do colégio um cartucho usado do SimCity mais antigo (chamado atualmente de SimCity Classic) para o meu Super Nintendo – isso porque nesta época o PlayStation e o Nintendo 64 já estavam bombando. Anos mais tarde percebo que joguei uma das raridades da série.

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SimCity é o pioneiro do segmento de simulador de construção de cidades. Lançado em 1989 pela Maxis (atual divisão da Electronic Arts), o objetivo é exatamente dar asas a imaginação de um arquiteto e urbanista: planejar e desenvolver uma cidade num terreno virgem. Desde então já foram lançadas as versões SimCity 2000, 3000 (e versão World Edition), SimCity 4 (e expansões Rush Hour e Deluxe), SimCity Sociedades e a atual 6ª versão, lançada em 2013, chamada somente de SimCity.

Este jogo é a fonte que que inspirou as versões mais recentes de simulador de cidades atuais, como por exemplo o CityVille

No jogo você é um prefeito e tem uma verba inicial para desenvolver uma cidade numa área delimitada. Com esse dinheiro você precisa comprar usinas de energia elétrica, linhas de distribuição da rede elétrica, ruas, distribuir as zonas da cidade, dividida em residencial, comercial e industrial, construir delegacias de polícia, corpo de bombeiros ao longo de um ano e respeitando o orçamento inicial.

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Ao colocar a cidade em ação, começam a aparecer algumas preocupação na gestão daquilo que é projetado pelo jogador, como poluição, desemprego, custo de moradia, criminalidade, impostos elevados, engarrafamentos, acesso e mobilidade entre as áreas da cidade, etc.

Ao mesmo tempo, seu objetivo é garantir o crescimento e o superávit das contas públicas. A cidade tem que dar lucro entre o arrecadado e o custeio dos equipamentos públicos, regulando o caixa através da alíquota do imposto municipal.

E a busca deste equilíbrio é um mistério: impostos altos afastam comércios e indústrias e gera desemprego e recessão, mas um imposto baixo demais gera déficit e escassez de grana pra expandir a cidade.

Ou seja, o jogo me ensinou a grosso modo o que é preciso para construir e projetar uma cidade e que cada traço do planejador urbano tem consequências que se refletem diretamente no desenvolvimento urbano e econômico da cidade. E faz com que o prefeito tenha uma missão maior do que construir uma metrópole (ou megalópole).

É preciso trabalhar para a maior satisfação possível de seus habitantes. Neste jogo, uma cidade feliz é aquela que satisfaz a demanda do crescimento econômico, com responsabilidade fiscal e atende a felicidade dos seus habitantes.

Acho que além dos arquitetos, os políticos deveriam jogar um pouquinho o jogo para aprender estas lições. Que comecem então com a versão mais antiga para pegar o jeito.

2. Transport Tycoon

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Mais uma vez tomei contato com esse jogo há uns 15 anos atrás. Mesmo sem ter computador tinha dois disquetes de 3 1/2″ (rodava em MS-DOS) e levava estes disquetes para instalar e jogar onde tinha um computador disponível, até eu ter o meu próprio.

Transport Tycoon é talvez um dos pioneiros jogos de simulação de gerenciamento de empresas de transporte. Lançado em 1994 pela Microprose, o objetivo do jogo era levar desenvolvimento a uma região ou continente através da construção de uma rede de transporte de alta, média e baixa capacidade.

Desde então, foram lançadas a versão Deluxe e, pela Atari, o Chris Sawyer’s Locomotion. Este jogo foi a fonte de inspiração de outros títulos como o RollerCoaster Tycoon, Railroad TycoonSimutrans e Transport Giant

O mapa possui atividades que são interligadas através da cadeia produtiva. Por exemplo: seu objetivo era levar o carregamento de grãos para uma indústria de processamento produzir alimentos que devem abastecer as cidades (próximas ou distantes). O empresário é remunerado por carga entregue e deve atender a demanda da produção, visando uma boa avaliação do serviço e se destacar dos concorrentes.

O empresário pode lançar mão de diversos meios de transporte para cumprir a tarefa: caminhões, ônibus, trem, avião e navios. À medida que o tempo vai passando e as redes de transportes se tornam mais eficientes, as cidades lançam mão de artifícios para atrair o investimento das empresas, como subsídios que podem pagar duas, três ou 4 vezes mais por determinada carga ou transporte de passageiros.

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Este jogo me ensinou muito mais do que a gestão de logística de transportes. Mesmo que não seja o objetivo principal do jogo, ele me ensinou uma lição importante sobre planejamento urbano e regional.

O transporte de pessoas e mercadorias e a instalação de estações de embarque e desembarque impulsionam o crescimento de cidades. E que, com efeito, estes pólos podem se destacar e impulsionar o crescimento de cidades menores vizinhas, a partir do fortalecimento das atividades e ligações.

Mesmo em se tratando de uma jogo que segue lógica de livre mercado e competição entre as empresas, essa reflexão além do jogo é bastante semelhante ao que se vê na vida real e mostra o quão importante é o transporte para o desenvolvimento.

3. The Sims

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Este jogo eu tive contato mais tardiamente, acho que já estava na faculdade. Assim que conheci, gostei bastante dessa possibilidade de descer na escala da cidade e conhecer a casa pelo lado de dentro e das relações de vizinhança.

The Sims é uma evolução do conceito do SimCity, um zoom na escala. Também desenvolvido pela Maxis e Electronic Arts no ano 2000, ele é um simulador eletrônico de vida. A partir de um personagem (ou avatar), o jogador tem o objetivo de levar uma vida de acordo com suas escolhas. Desde então, foram lançadas as versões The Sims 2, The Sims 3 e uma série de pacotes de expansão.

O jogador escolhe uma profissão e deve buscar uma vida mais feliz e desenvolvida. O objetivo é atender todos os indicadores de sua vida, seja nas necessidades fisiológicas (como dormir, comer, ir ao banheiro), tarefas domésticas (preparar comida, limpar a casa, regar plantas), aspectos afetivos (ter amigos na vizinhança), saúde, humor, diversão, etc.

E para isso é preciso que ele trabalhe para ganhar seu dinheiro e comprar coisas pra sua casa, equipar com móveis, computadores, televisão e deixar a casa funcional e com a cara do morador.

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Na minha opinião, o ponto alto do jogo era o desenvolvimento da casa. A partir do progresso no trabalho, você tem um módulo de construção e decoração da casa. Você pode ampliar cômodos, construir ambientes internos, ampliar a casa, investir no quintal, no paisagismo, no acabamento, revestimentos, iluminação e vários elementos de arquitetura.

A grande lição é sobre o papel da casa na vida das pessoas. A arquitetura se torna o principal objetivo do jogador, que faz o seu personagem trabalhar em busca do conforto e bem-estar.

Cada elemento que é colocado, obedece a funcionalidade e afetam todas as dimensões da vida do personagem. A busca do equilíbrio e do desenvolvimento do personagem varia de acordo com as relações pessoais, familiares e tipo de carreira profissional. E a arquitetura é reflexo disso tudo.

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E você, tem algum jogo de arquiteto para me sugerir? Se tiver algum bom para sugerir, estou dentro para horas de jogo!

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