Os nove erros fatais em uma obra

2010-01-19_Autocad 2010 Fatal Error

Fazer uma obra de construção ou reforma é sempre algo que nos entusiasma e motiva a fazer mais, comprar materiais, sonhar com detalhes de cores, luzes e acabamentos. Nada mais é do que a realização de um sonho de uma vida mais feliz numa casa nova e bem construída.

Mas é preciso prestar atenção em detalhes dessa empreitada, pois alguns deslizes podem transformar esse sonho numa dor de cabeça tremenda.

Um dos métodos de aprendizados  mais eficientes que a vida nos oferece é refletir sobre os erros para que nos esforcemos em não repetí-los. Separei aqui 9 erros considerados fatais. Tão fatais e frustrantes como essa tela de erro no AutoCAD – Murphy sempre reserva ela quando estamos no fim de horas de trabalho num projeto.

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1. Não verificar as instalações prediais

Eis que você começa sua obra com um sonho de colocar um belo aparelho de ar condicionado tipo split na sua sala. Se a grana está curta vai comprar um pequeno, mas se encontrar na promoção compra o mais potente possível, sonhando com aquele clima de montanha.

Só que se você comprar e não perceber que o aparelho pode ter uma tensão diferente da existente da sua casa, vai acabar gerando um serviço elétrico extra. E aí o seu orçamento vai pro espaço.

Antes de instalar qualquer aparelho que demande luz, água, saída de esgoto ou gás, ou ainda acrescentar novos cômodos e dependências na casa, é preciso verificar as condições dessas instalações prediais.

Chame um profissional especializado para avaliar a necessidade de aumento de carga elétrica instalada para esses novos equipamentos, ou para ampliar ou fazer remanejamento dos ramais de água, esgoto e gás em reformas de cozinha, banheiro e área de serviço.

Esse profissional poderá fazer um orçamento e poderá te ajudar na tomada de decisão de instalar o equipamento novo ou, se necessário adiar, já deixar sua instalação preparada para o futuro.

2. Não verificar as estruturas

Este erro é mais comum do que se imagina. Existem muitas construções que começam com um objetivo simples e com o tempo tendem a crescer e ganham segundo andar, terraço, piscina na laje e aí, por desconhecimento, os proprietários deixam o pedreiro decidir qual o tipo de fundação, estruturas, lajes.

Esta situação pode ser muito perigosa, pois pode levar a ruína da casa por peso maior do que a capacidade da estrutura e dos materiais ou ainda a um superdimensionamento, o que acarreta em prejuízo e desperdício.

Por isso: olho vivo! Caso necessite aumentar a construção, escavar para construir uma piscina ou mesmo instalar uma caixa d’água maior é preciso prestar atenção na estrutura. Quando estamos falando de vidas que morarão debaixo do teto, falamos de algo que é infinitamente mais valioso que o preço de uma consultoria de um engenheiro civil ou arquiteto.

A vida não tem preço. E, como não somos videogame, só temos uma!

3. Negligenciar infiltrações

Esse erro é bastante comum em imóveis antigos. Eis que pensamos em dar uma pintura nova na casa e vemos uma mancha de infiltração, mas achamos que é só passar uma lixa e uma tinta que dá para o gasto. E qual não será a surpresa se a mancha voltar.

As construções, assim como as pessoas, exigem cuidados com sua saúde e dão sinais de que podem estar doentes. Aquela tinta por cima de uma mancha pode ser comparada àquela Aspirina ou Novalgina que tomamos na primeira dorzinha de cabeça que aparece: trata os sintomas mas não a causa da doença.

Por isso, para ter uma casa saudável, não economize tempo em fazer um bom check-up nas infiltrações. Verifique as condições da laje de forro e do telhado para identificar as causa de infiltração no teto. Olhe registros e colunas de água e esgoto nas proximidades de infiltrações na parede. Procure se informar da existência de lençol freático muito raso que possa minar água na base das alvenarias (no caso de casa no térreo).

Essa informações são importantes para a tomada de decisão de investir em soluções definitivas que poderão evitar prejuízos imediatos e futuros.

4. Comprar material sem medir as quantidades e dimensões

Este erro é primário, mas é mais comum do que se imagina. No afã de realizar a obra e com o orçamento curto, é comum que se compre alguns materiais na conta certa, sem margem para perdas, ou compram em excesso com um medo muito grande de faltar.

Ou ainda compram aparelhos sanitários e móveis só olhando o aspecto estético mas quando vai instalar, descobre que não cabem no lugar.

Em todos os casos, isso gera um descontrole dos gastos com materiais e a obra vira uma dor de cabeça financeira.

Para o bem do seu bolso, trena na mão! Meça todos os cômodos da casa e verifique áreas, alturas, vãos de porta e janela, posicionamento de tomadas, luminárias, etc.

Com essas medições, tenha a calculadora na mão para medir as quantidades de material necessárias e especifique móveis e louças de acordo com as dimensões.

Sempre é bom que se adote uma margem de segurança para perdas, especialmente em cerâmicas e tintas. Mas essa margem não é atestado para ser gastão. Fiscalização já! Combata o desperdício!

5. Comprar material de baixa qualidade

As lojas de materiais de construção sempre vão oferecer pechincha irresistíveis para seduzir o consumidor, como se determinado piso, louça, metal ou tinta fosse ouro a preço de banana. Só que na hora de levar para a sua obra você descobre que era só banana mesmo, para alimentar o mico da obra baratinha.

A boa prática diz que “se não for para fazer bem feito, é melhor nem fazer”. Ao ver aquelas gôndolas de materiais com preços irresistíveis, conte até 10 antes de colocar a mão no bolso. Busque informações sobre a marca, se é um material de primeira linha ou ponta de estoque, se o colocador de piso ou pintor recomenda a colocação ou tem experiência ao lidar com aquele tipo de material.

Isso não significa que o material mais caro sempre o melhor, pois o seu pedreiro pode não saber usar aquele material caríssimo e desperdiçá-lo durante a obra. Busque o bom senso entre o padrão de acabamento, recursos de dinheiro e a capacidade do seu profissional de obra.

6. Confiar cegamente no “pedreiro faz-tudo”

É sabido que não está fácil encontrar bons profissionais para tocar uma obra. Hoje em dia essa mão-de-obra está toda empregada e o valor da diária ou da empreitada está cada dia maior. Aí, acabamos por chamar o “Zezinho Faz-Tudo” que cobrou baratinho da ultima vez que precisou desentupir o sifão da pia da cozinha, que diz que faz de tudo um pouco e damos a ele a obra toda para fazer.

O erro mora em achar que quem fez bem feito um pequeno serviço é capaz de fazer tudo numa obra.

É preciso usar a mesma lógica que a área de Recursos Humanos empresa faz com seus funcionários em qualquer segmento: observar competências e habilidades para direcionar a tarefa mais adequada para ganhar produtividade.

Ou seja, é preciso ser esperto na hora de receber as indicações profissionais. Avalie qual é a principal competência de cada profissional a partir dos comentários de outras pessoas que já tiveram experiências anteriores. Provavelmente você ouvirá o que ele fez de melhor em determinada obra.

Depois avalie o custo-benefício de contratar só um profissional ou de dividir as tarefas para outros profissionais especialistas. Pode ser que saia mais caro mas com uma produtividade e qualidade superior.

7. Falhas na fiscalização dos profissionais

A falta de tempo para acompanhamento de uma obra é um dos principais motivos do desperdício e retrabalho em uma obra. Por conta da desculpa de falta de tempo, o contratante acaba depositando um excesso de confiança no profissional de obra e acaba por deixando ele livre para executar – o melhor dos mundos: sem patrão perturbando.

Só que esse comportamento por parte do contratante pode gerar prejuízos, retrabalhos, desperdício de material e estresses futuros com o orçamento da obra.

Por isso, não vacile. Planeje os horários de execução e se esforce em colocar um espaço na sua agenda para acompanhar a execução. Dinheiro não é capim!

Se sua vida for corrida demais, avalie a possibilidade de contratar um profissional habilitado para cuidar da fiscalização da sua obra. Como um arquiteto, por exemplo.

8. Serviços e valores acordados “de boca”

Em qualquer projeto de vida, é muito importante saber de onde estamos partindo e até onde queremos chegar. Em obra, nem se fala!

Mas às vezes, no impulso da pressa por fazer obra, seja por tempo curto, pressão familiar e diversos outros motivos, surge a tentação de fazer e pagar para ver no que vai dar. Em miúdos: coloca-se a carroça na frente do boi.

O problema é que dependendo do modo que você contratar a mão de obra de construção, isso pode gerar gastos excessivos. Se contratar um pedreiro por diária, cada acréscimo no escopo significa mais dias de execução. Se for por empreitada do total da obra, a modificação que não for acordada será cobrada a mais.

Por isso, tão importante quanto fazer um projeto é planejar todas as atividades necessárias e registrar por escrito este escopo. Somente com o acordo entre as duas partes do que se pretende fazer é que poderão ser definidas as obrigações e responsabilidades de patrão e empregado.

Gaste um tempo e detalhe todas as intervenções necessárias. É um tempo precioso que fará a diferença.

9. Achar que profissionais especializados não são necessários.

A autoconstrução é um legado cultural do nosso país. Cidades inteiras foram e ainda são construídas sem qualquer profissional de construção acompanhando. O acesso cada vez maior as informações sobre todas as etapas de uma obra faz como que toda pessoa interessada se torne um autodidata formado pelo Google na modalidade “Faça Você Mesmo”.

Para quê contratar um arquiteto? É realmente necessário? Arquiteto é para gente rica, não para mim…

Antes de tudo, estamos falando sobre o lar de uma gente feliz que deseja morar em algo que reflita as características de seus moradores. O lar é um abrigo, um lugar de preservação da vida e precisa cumprir sua função primária.

Quando se coloca a vida como algo mais importante que a arquitetura, como Oscar Niemeyer já dissera, não se pode admitir colocar em risco a vida das pessoas que amamos para economizar o preço de um arquiteto – que nem é tão caro assim.

Contratar um profissional habilitado significa delegar a responsabilidade sobre a integridade da construção, das fundações, das instalações prediais para alguém que é capaz de garantir que sua obra seja eficiente e que sua casa será o lugar mais seguro e confortável possível para se viver.

Além disso, o investimento no imóvel estará garantido sob o ponto de vista legal, para futuras compras e vendas, transferências de propriedade e partilhas e heranças futuras, pois o profissional poderá dar a orientação necessária para isso.

O peão de obra é uma mão de obra especializada e que trabalha com dignidade e habilidade. Mas é o engenheiro ou o arquiteto que tem a competência técnica e legal para garantir o investimento realizado na construção.

Pense nisso. E não vacile.

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