Dicas para comprar uma casa feliz – interiores

Fonte: Chan360 - Licença Creative Commons (CC BY-NC-ND 2.0)

O primeiro artigo sobre as dicas para comprar uma casa feliz contem dicas que tomaram como base as dimensões da felicidade na escolha de uma casa, e se baseou essencialmente em aspectos do entorno.

Naquela abordagem o mais importante era encontrar um lugar adequado à prioridade da busca de uma vida mais feliz e desenvolvida, considerando valores e hábitos dos futuros moradores.

Mas depois percebi que existiam aspectos mais técnicos e concretos da arquitetura em si, os quais pesam significativamente na tomada de decisão.

Ainda que o entorno seja maravilhoso, a casa tem que cumprir a função mínima de abrigar com dignidade pessoas e objetos. Então, mãos a obra.

O que analisar no interior de uma casa?

Bem, como disse antes, não ditarei um padrão arquitetônico baseado no meu gosto pessoal. Meu objetivo é lançar luz sobre os aspectos que devem ser avaliados caso a caso, individual e coletivamente durante o processo de decisão da comprar da casa mais feliz.

Como presumirei que você já seguiu as avaliações sobre a vida e o entorno da casa, vamos descer da escala urbana para a arquitetônica.

Veja o elenco de fatores internos você deve prestar atenção na avaliação de uma casa numa visita sem cair na lábia de corretor de imóveis.

  1. A área construída do imóvel

    Um parâmetro importante é avaliar a planta do imóvel. Uma boa residência deve ter proporções de espaço adequadas aos fluxos e móveis a serem colocados.

    Neste caso, é fundamental ter uma trena à mão e medir os espaços de portas, janelas, paredes e corredores. No caso de imóveis vazios é mais importante ainda, pois a percepção de área sem móveis pode dar a impressão de serem menores do que o que realmente são.

    Caso você não tenha móveis de onde você mora anteriormente, essas medidas ajudarão a escolher os melhores mobiliários e equipamentos para o espaço. Se ja os tiverem, tenha-os medido com antecedência.

    Não se iluda com as fotografias que as corretoras costumam colocar na internet. Não é má fé: toda fotografia é naturalmente uma visão distorcida, não dá a exata noção de profundidade e altura. Os ambientes normalmente parecerão maiores na fotografia do que ao vivo.

  2. O estado de conservação

    Este ponto deve ser bastante avaliado na aquisição de um imóvel, pois isto determinará se o preço oferecido é real ou não, pois o custo de uma reforma pode muitas vezes engolir aquela oferta tentadora

    No caso de imóveis usados, é quase impossível encontrar um lugar que é só entrar e morar. Haverá sempre um piso de banheiro do tempo da vovó, uma porta que precisa ser trocada, um sinteco no chão de madeira, uma pintura. Isso é normal.

    Primeiramente deve-se observar os pontos de infiltração da casa. Infiltrações no teto podem ocultar problemas de goteira, laje de forro sem impermeabilização ou ainda alguma tubulação com entupimento do apartamento superior.

    Pinturas descascadas de parede que vem de baixo para cima casas no pavimento térreo podem ser indícios de umidade do solo por lençol freático raso.

    Rachaduras também são um ponto importante de avaliação, pois pode indicar problemas de pintura ou até mesmo estruturais.

    Existem uma série de questões a serem consideradas que dariam vários artigos só sobre esse tópico. O ideal é procurar um profissional de obras para avaliar o grau de conservação, que pode ser um mestre-de-obras, um arquiteto ou um engenheiro, dependendo do estado de conservação do imóvel.

  3. O conforto ambiental

    Este item tem a ver com a posição do sol em relação ao imóvel. Em cidades quentes normalmente evitamos o sol que vem do norte e do leste, por serem os horários mais quentes do dia.

    Infelizmente a qualidade da arquitetura dos prédios novos tem deixado a desejar e é difícil encontrar prédios com ventilação cruzada, onde o vento passa de uma janela a outra e percorrem os ambientes para renovação de ar – banheiro com janela e sem ventilação mecânica já é uma raridade hoje em dia.

    Ninguém quer dormir a noite com a parede quente desprendendo o calor acumulado de uma tarde de verão. Este calor das paredes vai exigir um gasto enorme com energia elétrica para ventiladores e ar condicionado.

    Quem sofre de doenças alérgicas deve ter cuidado com imóveis pouco ensolarados. Os ácaros e bactérias adoram ambiente úmido, sem insolação e ventilação. A procurar por ar fresco nem sempre será um ar saudável.

    É importante também avaliar fontes de poeira, fuligem da rua e o barulho provenientes de obras, trânsito e vizinhança. Isso deteminará a capacidade de abertura de suas janelas

    Sendo assim, observar a insolação e a ventilação de um prédio interferem diretamente na saúde dos seus habitantes. Fique de olho!

  4. Potencial para reformas e ampliações

    Experimente lançar um olhar de arquiteto para um ambiente. Existem ocasiões em que a planta original está mal aproveitada e que com uns poucos ajustes o ambiente pode melhorar bastante.

    Uma cozinha ou banheiro que pode crescer ou diminuir para ficar melhor aproveitado, um quarto que pode adicionar uma suíte, uma área reversível são qualidades que podem ser maiores que algumas deficiências.

    É lógico que não é todo mundo que tem dinheiro pra iniciar um projeto de reforma e ampliação logo assim que compra uma casa ou apartamento. Mas esse potencial pode desencadear um planejamento de longo prazo para investir nas melhorias e ir, aos poucos, agregando mais valor ao investimento.

    Felicidade também é pensar grande com os pés no chão.

  5. Os hábitos do futuro morador

    Este item tem a ver especificamente com o que o indivíduo gosta de fazer dentro de casa.

    A casa não é simplesmente um abrigo protetor para descanso e alimentação. É um território onde acumulamos diversos objetos que atribuímos valor, seja sentimental ou de relíquias de colecionadores.

    Somos por vezes colecionadores de livros raros e transformamos nossa casa num sebo, orgulhosos das estantes e prateleiras lotadas de exemplares (amarelados ou não), aficcionado por sapatos que desejam um closet, ou simplesmente juntamos tranqueiras por não termos coragem de jogar fora.

    Tem também os hábitos das pessoas em si, que fazem da sua casa um escritório particular, estúdio de música, central de informática, área de meditação, clube de carteado e jogatina, reduto de animais domésticos, área de ginástica, etc.

    Já que não é do dia para a noite que modificamos hábitos tão arraigados, é importante avaliar se os cômodos serão suficientes para manter nosso hobby ou mania.

  6. Fase da vida

    Escolher uma casa de um, dois ou três quartos é mais do que uma opção do mercado imobiliário. Tem a ver com o ideal de vida que o indivíduo está projetando.

    Existem pessoas que gostam de viver sozinhas, casais que planejam o número de filhos que desejam criar, familias que crescem ao redor de um patriarca ou matriarca, e que implodem e se esvaziam com a morte destes, filhos adultos que saem de casa, casal que se divorcia e que precisa de espaço para acolher os filhos do casamento.

    Estes cenários são dinâmicos e certamente em algum período da vida a casa será suficiente, pouca ou além das necessidades presentes ou futuras.

    Sendo assim é preciso manter em vista que uma casa é um bem imóvel que tem valor de mercado, ainda que não se deseje desfazer de imediato.

Vantagens em seguir as dicas 

Por que pensar assim?

Uma casa é um lar feliz, mas é preciso também se adaptar ao espaço para que sejam feitas reformas prudentes.

Uma casa acústica projetada para um pianista, por exemplo, não tem valor nenhum para quem não precisa dessa qualidade, tornando-o um opcional sem valor para a maioria das pessoas.

Criar um “puxadinho” para 4 filhos torna a casa mais difícil para ser vendida no futuro, pois esse é um projeto específico demais e não pertence à maioria das pessoas.

Como os recursos disponíveis são limitados, é importante exercitar a criatividade no momento da escolha do imóvel e na adaptação dos seus hábitos ao projeto de felicidade.

Por fim: peça ajuda a um arquiteto. O arquiteto é o profissional que tem criatividade espacial como uma habilidade de ofício e poderá satisfazer as necessidades do projeto.

É um investimento num projeto de felicidade de longo prazo.

Pense nisso. E seja feliz na sua nova casa!

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