Países Felizes – Parte 6: França

A viagem do Arquiteto da Felicidade deu uma parada estratégica. Apesar de gostar bastante de escrever, precisei dar uma prioridade nos projetos de arquitetura, não é? Arquiteto precisa fazer cliente felizes.

Voltando à busca dos países felizes e desenvolvidos por saberem priorizar seus talentos, vamos à França. O país é talvez o mais lembrado e admirado no que diz respeito à riqueza de sua cultura no território. Ao explorar as fontes deste sucesso cultural perceberemos que a cultura francesa é mais do que uma mera coincidência de talentos, é uma questão de organização da sociedade e da economia.

A produção cultural e o desenvolvimento

Sabemos que a cultura é uma dimensão importante a ser considerada na busca de uma vida mais feliz e desenvolvida. No entendimento dos talentos individuais, priorizar essa dimensão significa ter um espírito aberto a experiências pessoais, conhecer lugares, produzir e contemplar artes.

E como seria um país indutor de um desenvolvimento através dos potenciais artísticos e culturais de seu povo?

Parece impossível, pois é hábito dos países utilizarem dimensões que possam ser medidas através de indicadores econômicos, medido na proporção do PIB, índices de inflação, arrecadação de impostos, etc.

E a cultura por sua vez é sempre associada ao sentimento do valor local. Cultura produzida para exportação não parece ser visto com bons olhos pelas pessoas.

Mas a indústria do turismo está aí para derrubar esse mito. Uma atmosfera cultural positiva pode ser uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento econômico através do turismo. Esta é a lição que aprenderemos com a França.

Cultura, Lazer e França

A França é um país conhecido mundialmente pela riqueza do seu patrimônio cultural. Não obstante, foi o país mais fácil de se escolher neste conceito de seleção da série Países Felizes.

Tal riqueza cultural renderia extensos textos sobre cada aspecto importante da cultura que justificasse sua escolha. Mas o importante neste caso é observar os aspectos onde a cultura e o desenvolvimento francês caminham de mãos dadas.

Quando se fala do patrimônio francês e desenvolvimento há de se observar que o principal potencial cultural é uma herança da evolução cultural, histórica, social e educacional do povo.

A França foi território onde aconteceram os principais acontecimentos da história ocidental, o que se reflete na formação do territória das cidades, onde podemos encontrar cidades com traços do Império Romano, dos reinos da Idade Média, a colonização de territórios ultramarinos na Idade Moderna.

A Revolução Francesa é considerada pelos historiadores o principal marco histórico da nossa Era Contemporânea. Soma-se ainda a herança de guerras históricas contra seus vizinhos europeus e as duas Grandes Guerras Mundiais.

Toda essa história construiu fortes legados com forte significado histórico e de sentimento nacional e local, seja na Literatura, nas Belas Artes, na Arquitetura, na Música e na própria língua francesa.

O peso da cultura no desenvolvimento econômico

E é este legado que se traduz mundialmente no desempenho da indústria turística. A França atrai cerca de 80 milhões de turistas estrangeiros por ano sendo um dos destinos turísticos mais populares do mundo.

De acordo com o site oficial do governo francês, o turismo é o maior setor da economia francesa, gera todos os anos mais de 30 bilhões de receita (2,9 % do PIB francês), na hotelaria, comércio, lazer etc. O turismo contribui para o dinamismo da economia nacional e gera cerca de um milhão de empregos, muitos dos quais para os jovens.

Ainda segundo o mesmo site, o desenvolvimento desta indústria se deu a partir da política nacional e regulamentação da legislação trabalhista que dispõe sobre as férias dos trabalhadores.

Os poderes públicos, o setor associativo e as empresas, por meio de seus comitês de assalariados, logo se empenharam em facilitar as viagens de férias dos franceses.

Foram criados instrumentos de ajuda ao viajante, como o cheque-férias, que garantem certa igualdade ante as férias, inclusive para os de baixa renda, e transformam essas férias num direito social a que os cidadãos têm muito apego (cerca de 20% dos viajantes recebem uma ajuda).

Qual a lição que a França nos ensina?

Fica evidente que a opção da cultura como motor do desenvolvimento francês foi feita a partir da percepção clara do seu legado histórico patrimonial. Este legado que reverencia as glórias do passado histórico nacional e que se mantém presente como um setor produtivo representativo foi uma opção da sociedade francesa para o desenvolvimento.

Valorizar o patrimônio cultural como um recurso disponível em abundância no território foi decisivo nas opções nacionais para o desenvolvimento econômico e social, a partir do qual, prioridades foram definidas e outras remediadas.

O turismo é uma forte indústria. Por sua vez,é a primeira a sentir os dissabores de uma crise de emprego e é sujeita rapidamente aos reflexos da  economia. Não é nada fácil assumir esse risco.

Entretanto, uma cultura aberta para o mundo permite que recursos de outras partes do mundo seja captados a qualquer tempo e permitirá vez ou outra, a partir dos ideais revolucionários, buscar a retomada das riquezas a partir das celebração das suas glórias.

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E você? Acredita que o desenvolvimento pela cultura é algo possível em outro país diferente da França? Acha que nossos governantes seria capazes de acreditar que a felicidade cultural poderá melhorar o desenvolvimento da sociedade? Deixe sua opinião no Facebook, Twitter ou aqui no meu blog.

Próxima escala será a Dinamarca, o reino da Felicidade! O primeiro da trilogia sobre sociedades

Sigam-me os bons!

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