Países Felizes – Parte 5: Brasil

Retomando nossa viagem sobre os diferentes modelos de desenvolvimento países de acordo com sua visão de felicidade, nesta quinta parada o protagonista é o nosso Brasil.

Nosso país tem um traço cultural de povo pacífico, acolhedor e hospitaleiro e que interferem no modo que compreendemos uma nação e um território: com os olhos da felicidade. Vamos entender o porquê.

Como fazer dos relacionamentos uma política?

Promover o desenvolvimento através de uma qualidade sentimental é algo que para muitos não deve fazer sentido.

Não tem cabimento imaginar um político que defenda como carro-chefe de uma política nacional tornar seu povo mais gentil. O governo não tem gerência sobre os aspectos culturais de um povo.

E não tem mesmo?

Se você observar com cuidado a história da Alemanha nazista, irá perceber que o grande feito de Hitler foi despertar na sociedade os sentimentos anti-semitas e de intolerância. E foi essa forte intervenção governamental que sustentou toda sua política nazista.

Ok, ok! Não precisamos ser extremos, pois como já disse, a liberdade é uma das condições para alcançar a felicidade.

Não precisamos impor uma qualidade acolhedora por decreto, mas se este é um aspecto inerente da sociedade, é possível tomar partido dele e apoiar nossas políticas, fazendo dessa característica um potencial e um diferencial no mundo.

Amigos e Brasil

O Brasil é conhecido como um lugar “abençoado por Deus e bonito por natureza”. Mas ultimamente também vem sendo confirmado em pesquisas como um lugar onde as pessoas são felizes

Pesquisa publicada na revista Exame feita pela Ipsos em 24 países sobre a auto-percepção de satisfação com a vida, o Brasil aparece com o 4º lugar do mundo com mais pessoas que se consideram “muito felizes”, à frente de muitas nações desenvolvidas como Grã-Bretanha, Estados Unidos, Canadá, Suécia, etc. Na pesquisa da Gallup, o Brasil é tetracampeão mundial em felicidade. No relatório World Happiness Report emitido pela ONU, que considera outras questões no cômputo do ranking o Brasil é somente o 25º.

No nosso caso, pouco importa a posição no ranking da felicidade. O que importa na busca de uma nação mais feliz não são as ações para subir no ranking, e sim identificar a vocação do povo para priorizar as ações de um país. O enfoque estratégico na exaltação da felicidade presente no traço cultural brasileiro tem possibilitado grandes oportunidades de desenvolvimento.

Um exemplo disso foi a estratégia de marketing candidatura da cidade do Rio de Janeiro para cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Tudo foi elaborado pautado no discurso da emoção e da alegria do seu povo. Ao observarmos o tom da apresentação, em matéria daquela época, o discurso que vende o sonho de uma felicidade foi o principal diferencial, que contrastaram as apresentações técnicas de Madri, Chicago e Tóquio, focadas na competência e na produção.

Esta promessa se mantém presente no escopo do site oficial do Rio 2016. O principal espírito do evento é que tudo será preparado “sem perder jamais o espírito carioca e a energia brasileira, que contagiam a todos”.

Ou seja, o grande valor de uma cidade e de um país é um valor intangível, que é cultural e natural do povo. Mas está sendo por meio dele que novas oportunidades de desenvolvimento econômico e social começam a ser reveladas.

Mas será lícito considerar a “energia brasileira” um produto comercial? Não estaríamos assim estereotipando o nosso povo?

O mito do povo cordial e do “jeitinho brasileiro”

O risco que se corre em errar a mão na potencialização desta vocação social pela felicidade é distorcer a realidade e criar rótulos falsos.

Podemos citar neste contesto a frase que diz que o Brasil é um país cordial. Essa frase foi cunhada pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda no seu livro “Raízes do Brasil”, publicado em 1936 (auge da Ditadura Vargas de apelo nacionalista), onde define o Homem Cordial brasileiro com um homem que “age movido pela emoção no lugar da razão, não vê distinção entre o privado e o público, detesta formalidades, põe de lado a ética e a civilidade”.

A palavra cordial significa etimologicamente “relativo ao coração”. Mas com o decorrer da história o Homem Cordial passional passou a ser interpretado com homem pacífico ou alienado, que se deixa corromper. A cordialidade se tornou a justificativa moral do jeitinho brasileiro e ficou enraizada no nosso folclore, como se fosse um característica exclusivamente brasileira, ou que fizesse parte da nossa percepção de felicidade.

Logo, o desafio de se seguir por esta trajetória é tentar entender como manter genuinamente os valores sociais sem que isso incorra na perda do bom humor e vocação para as alegrias festivas, tampouco na alienação e apatia em protestar por mudanças.

Uma solução criativa para o desenvolvimento brasileiro

Orientar os valores genuínos de um país tomando partido da sua vocação para a felicidade pode ser potencializada num contexto econômico que priorize a imaginação, a criatividade e a inovação.

Uma destas formas de desenvolvimento vem sendo trabalhada pelo defensores da Economia Criativa. A expressão foi criada pelo autor John Howkins no livro “The Creative Economy”, de 2001, e significa uma modo de produção baseado na atividade de cérebros, que utiliza da criatividade para gerar empregos melhores, produtos inovadores e crescimento econômico.

Capturar esse espírito feliz e transformá-lo num ambiente criativo significa mobilizar seus talentos, habilidades e competências no sentido do aprimoramento das condições gerais de existência das pessoas e da vida em sociedade (extraída da definição de “Cidade Criativa – PFEIFFER, 2011).

Enfim, basta de rótulos. Construir uma sociedade de pessoas, caráteres e vocações implica em dar um passo além da condição “natural”. O Brasil tem muito o que ensinar ao mundo, mas primeiro precisa aprender.

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E você, você acha que a felicidade do Brasil pode nos trazer um melhor desenvolvimento? Deixe sua opinião no Facebook, Twitter ou aqui no meu blog.

Vamos embarcar para a Europa mais uma vez. Nossa próxima parada será a França. C’est parti! Au revoir!

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