Países Felizes – Parte 3: Finlândia

Com o fim do Especial Rio+20, vamos retomar nossa viagem pelos Países Felizes do Arquiteto da Felicidade?

Nossa terceira escala é na Finlândia. Vamos conhecer o país que tem um dos melhores programas nacionais de educação do mundo e buscar entender a razão de seu sucesso.

Educar para desenvolver e ser feliz

Quantas vez já não se ouviu promessas, protestos e discussões sobre a importância da educação de qualidade para o desenvolvimento de um país, não é verdade? E por quê?

Encontrei um texto de Eduardo de Freitas que aborda essa questão de maneira bem direta. O autor diz que os países que detêm uma boa educação, “respeitam, zelam para o cumprimento das leis, condenam a corrupção, os privilégios e praticam a cidadania”.

Seguindo esse raciocínio, a educação mais que um direito, é condição da própria existência de uma nação. E a ideia de nação é superior a ideia do desenvolvimento econômico-financeiro. Significa um senso de comunidade, sociedade e pertencimento, que são condições necessárias para que as pessoas sintam-se felizes e tenham orgulho de seu país.

Essa realidade está bem distante do nosso país, infelizmente. Então como poderemos compreender uma felicidade de viver num país sério?

Difícil né, mas vamos tentar. Compreender um país pela educação nos ajudará a compreender nossa própria ideia de nação brasileira, para tentar se libertar do ufanismo da “pátria de chuteiras”.

Vamos desbravar a Finlândia, que alguns conhecem apenas como terra de corredores Kimi Raikkonen e Mika Hakkinen, da Formula 1.

Educação e Finlândia

“Na Finlândia, a Nokia, que exportava papel, agora exporta celulares, graças à educação”

Senador Cristóvam Buarque (PDT-DF)

Localizado ao norte da Europa, na Península Escandinávia, e com uma população de cerca de 5 milhões de habitantes (população equivalente a da cidade do Rio de Janeiro), a Finlândia era uma país predominantemente agrícola até antes da II Guerra Mundial.

A partir da instituição do Estado de Bem-Estar Social no pós-guerra, o país passou por um grande desenvolvimento econômico. Mas o ponto chave no seu desenvolvimento veio a partir da década de 1970, a partir da transformação do sistema educacional do país quando foi criado o sistema de ensino obrigatório de nove anos. Todas as crianças do país passaram a estudar em escolas públicas parecidas e de acordo com o mesmo currículo nacional.

Em entrevista ao jornal O GLOBOo diretor Pasi Sahlberg, que atualmente integra o Ministério da Educação daquele país, diz que o principal objetivo desse modelo era igualar a oportunidade de acesso a uma educação de qualidade e aumentar o nível educacional da população.

De acordo com o site Educar para Crescer, a opção finlandesa por esta revolução da educação exigiu investimentos estruturais que permitiram o sucesso do modelo, dentre os quais

  1.  Gasto público em educação: a Finlândia é um dos países que mais investem em educação em relação ao PIB (6,1%). No Brasil, são 3,9% do PIB. O fato de a Finlândia ser a nação com menor índice de corrupção do mundo faz com que o aproveitamento do dinheiro seja ainda maior.
  2. A exigência com os professores é alta e a carreira, concorrida. O vestibular para ser professor é um dos mais disputados do país. Apenas 10% dos candidatos são aprovados. Exceto na pré-escola, o mestrado é pré-requisito para lecionar.
  3. Ênfase nos professores: o mestrado é pré-requisito para um professor ser contratado na Finlândia (100% dos professores têm). No Brasil, basta ter o diploma de nível superior, que se tornou o obrigatório no ano passado (2% têm mestrado). 
  4. A mesma qualidade para todos. A discrepância no desempenho entre as escolas do país é a menor do mundo. O governo mantém um sistema sigiloso de avaliação das escolas (99% são públicas) e os diretores são informados sobre o desempenho delas.
  5.  Os piores alunos não são deixados para trás. Dois em cada dez estudantes recebem aulas de reforço. Por causa disso, os índices de repetência são baixíssimos.

Como resultado, a Finlândia alcançou o 3º lugar no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) 2009, aplicado em 65 países pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O país chama a atenção não só pelos bons resultados, mas por apresentar um modelo diferente dos outros líderes do ranking, China e Coreia do Sul.

No lugar de toneladas de exercícios e de um ritmo frenético de estudo, na Finlândia, há pouco dever de casa, e a maior preocupação é com a qualidade dos professores e dos ambientes de aprendizado. 

E lá vem a crise de novo…

Da mesma forma que a Inglaterra com seu modelo de saúde, a crise econômica põem em risco às conquistas da sociedade finlandesa. Desde a crise de 2008, a Finlândia está amargando uma dura recessão.

A modernização e a internacionalização da educação tornaram o país dependente do mercado externo. E como a demanda internacional sofreu redução, a economia amargou uma redução de 9,4% do PIB em 2009, o pior resultado dentre os países da União Europeia naquele ano. O desemprego já atinge 8,5% da população.

Por outro lado, o discurso da austeridade fiscal dos países da zona do Euro tem passado longe de ameaçar com cortes em investimentos na educação. O primeiro ministro da Finlândia mantém firme a instituição da educação como valor e orgulho do país.

“Na Finlândia, as famílias respeitam os professores, os pais participam, ajudam os filhos nas tarefas escolares. Isso tem um grande impacto nos resultados. Educação é uma tarefa da família”

Jyrki Katainen, primeiro-ministro da Finlândia

A crise atemoriza o mundo. Mas com crise se cresce!

Uma previsão mais otimista

De acordo com o Ministério de Relações Exteriores da Finlândia, em decorrência da desvalorização do euro,  o setor de varejo finlandês tem se beneficiado com as compras feitas por turistas russos no país. As estatísticas indicam que os russos representam o maior grupo de turistas na Finlândia, fazendo aproximadamente meio milhão de reservas hotel no país a cada ano. Tem sido muito comum encontrar turistas russos em Helsinque, mas o turismo ainda não representa uma fonte de renda nacional significativa.

Os russos não são os únicos que descobriram Helsinque, a Capital do Design de 2012. O New York Times selecionou 45 lugares para visitar em 2012, com Helsinque listada como o segundo destino mais interessante.

A indústria eletrônica e produtos da indústria metalúrgica e de papel e celulose sofreram com a alta do euro. Em um ano, o euro enfraqueceu aproximadamente 20% com relação ao dólar. Isso aumentou a competitividade das empresas finlandesas. Talvez isso não seja visível de imediato nas estatísticas, mas certamente beneficiará as exportações do país.

Este leque de novas oportunidades exigirá uma nova estratégia econômica do país. E a capacitação e preparo do seu povo são peças chaves nessa virada.

A aposta da Finlândia em promover as bases na educação pública universal faz com que seu povo seja o celeiro necessário de gente capacitada em agarrar as novas oportunidades que surgiram neste momento de crise.

Se hoje eles não estão tão felizes com na década passado, com certeza terão condições de prosperar mais uma vez.

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E você, o que vai fazer nas próximas eleições? E na reunião da sua escola? Como fazer da educação uma fonte de felicidade? Deixe sua opinião no Facebook, Twitter ou aqui no meu blog.

Conhecem a colônia finlandesa no Brasil? Visite Penedo!

Nossa próxima escala será nos Estados Unidos: a terra das oportunidades. Vamos lá conhecer o sonho americano!

Sigam-me os bons!

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