O Consumo do Meio Ambiente


“A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável.”

Jean Jacques Rousseau

A abordagem do Meio Ambiente na atual conjuntura global é demasiadamente abrangente, estando relacionada a diversos aspectos da vida humana e da sociedade. Devemos pensar o Meio Ambiente como uma prorrogação de nossa felicidade e não algo que deve ser consumido para nos proporcionar apenas o bem estar.

Quando o meio ambiente se tornou um problema?

Por certo a problemática em torno do meio ambiente não é um fato novo, já que a exploração da natureza pelo homem ocorre desde sempre. Porém, o estopim ocorreu similarmente a Revolução Industrial no século XVIII.  O que foi considerado uma revolução nos meios de produção, com a substituição do trabalho manual pelas fábricas acarretou uma avalanche de consequências com proporções não esperadas, que se refletem até os dias de hoje: uma revolução de costumes, hábitos e valores humanos.

Vamos vislumbrar o feliz cenário final do século XVIII: uma  classe capitalista  em busca de  investimentos para o seu excesso de riqueza; a invenção da máquina a vapor levando o homem do campo para os centros urbanos industrializados; uma nova classe burguesa consumidora. Em meio a tais mudanças inicia-se o processo de desmatamento para o alargamento das cidades e para a fabricação de produtos em larga escala, além da poluição pelas fábricas, etc. O mundo se depara com o crescimento desordenado.

Entretanto não podemos negar que a Revolução Industrial proporcionou igualmente mudanças valiosas no homem e na sociedade; quiçá no presente momento ainda desfrutamos daquele desencadeamento, principalmente com na era da internet. Assim, afirmar que o homem não iniciou uma fase mais feliz na história da humanidade seria incorrer em equívoco.

Contudo, acreditou-se que o binômio produção-consumo levaria a igualdade social, mas a restrição da abundância impediu a igualdade de fruição dos benefícios. Ao lado dos novos valores sociais e étnicos desta nova sociedade em construção, emergia a problemática ambiental que em nenhum momento após o processo da Revolução Industrial foi cogitada.

Reciclar os valores pode ser o caminho para harmonizar o homem e a natureza

A relação entre o homo sapiens  e a natureza sempre foi de amor-e-ódio. Além da apropriação sobre a natureza, o ser humano também transpõe uma barreira física a fim de estender seus domínios sobre o território. O homem se apropria dos recursos naturais disponíveis na natureza há tanto tempo quanto a própria existência humana, sendo  indispensável tal relação tanto quanto a existência da própria da nossa própria espécie.

No último século a sociedade internacional foi chamada para tratar de problemas comuns a todos os Estados – assuntos globais – que são abordados  em dimensões diversas e de maneira multilateral, a  fim de alcançar uma conclusão, senão igualitária, justa para todos.

O meio ambiente por certo encontra-se entre um dos temas mais graves e complexos, e a busca por soluções de maneira isolada apresenta-se inadequada. A atuação global mobilizando o apoio de todos os países é a forma mais sábia encontrada pela sociedade internacional em  busca do bem comum.

Sociedade internacional pode ser definida como uma sociedade global, uma reunião de diferentes Estados que se relacionam diplomaticamente, considerados de forma igualitária e sem a presença de um poder central, cujo objetivo primordial é intermediar e equilibrar iguais ou diferentes interesses necessários ao desenvolvimento de cada Estado e do conjunto de Estados. (ver fonte aqui)

Como amenizar os impactos ao meio ambiente que atingem a sociedade a tanto tempo?

A verdade é que a relação de consumo desencadeada com a Revolução Industrial permanece até hoje como sendo o principal fator de avanço e reconhecimento social. O capitalismo impõe que o ser humano será feliz na mesma proporção de seu consumo (esta seria a chave para o sucesso; quanto maior o consumo, maior será a felicidade). Contudo, as consequências desta felicidade imposta refletem-se na natureza. Como Vilmar Berna afirmou em seu artigo “Meio ambiente, sucesso e felicidade”:

“Uma floresta em pé tem valor mas só tem preço quando suas árvores são derrubadas e transformadas em tábuas, móveis, ou cede o espaço para o plantio de outras espécies com preço. Os serviços que a floresta em pé nos oferece gratuitamente tem valor, mas não tem preço, como transformar carbono em oxigênio, fixar o solo e impedir sua erosão ou seu deslizamento, regular o micro clima e o regime de chuvas, permitir que as águas da chuva penetram nos mananciais podendo abastecer poços e nascentes em vez de irem correndo para o mar para virar água salgada. Então, entre ter uma floresta em pé que tem valor e ter uma floresta derrubada que tem preço, não haverá dúvidas, no atual modelo de medição de sucesso, em se derrubar a floresta. Assim, neste modelo, não tem cabimento a ideia de abrir mão da exploração da natureza, pois seria o mesmo que abrir mão de ter sucesso.”

Assim, pensar no Meio Ambiente requer bem mais que medidas de reciclagens. A felicidade da humanidade depende do equilíbrio da balança entre o consumo e a sustentabilidade, e se pretendemos que nossas futuras gerações sobrevivam ao novo século ou vivenciem-no.

(*) Erica Beatriz Oliveira é advogada, Pós-Graduada em Direito Internacional e Direitos Humanos pela Universidade Cândido Mendes, Mestranda em Direito Internacional pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Parceira Editorial do blog.

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