Países Felizes – Parte 2: Inglaterra

Nossa segunda escala é na Inglaterra, país que tem um exemplar modelo de saúde pública que é reflexo de uma visão política e prioridades e continuidade de projetos, mesmo com a alternância política e com as crises.

Uma população saudável é mais feliz

A saúde se tornou um direito social fundamental para qualquer nação democrática – em tese, assim deveria permanecer.

Tal importância é observada há muitos anos pela maioria das sociedades. O controle de doenças e de redução de mortalidade são desde muito tempo prioridades nas políticas nacionais, mais fortemente desde o século retrasado até os nosso dias.

Dos conceitos de higiene básica, o simples hábito de lavar as mãos e tomar banho, até o desenvolvimento das técnicas avançadas de antibióticos, a humanidade conseguiu grandes avanços na expectativa de vida pela políticas nacionais de saúde.

Seguindo essa linha se fosse utilizar o critério da longevidade, da mesma forma que fiz com artigo dos talentos, poderia ter escolhido o Japão, o país com a maior população de centenários do mundo.

Só que o fator cultural no Japão é o principal fator que levou à longevidade. No Japão isso se deve em maior força aos hábitos alimentares tradicionais e seus costumes, e não propriamente por uma política de estado.

Como a exposição dos exemplos se dá pelas políticas públicas construídas, este foi o critério prioritário de ter escolhido a Inglaterra e seu modelo de saúde pública.

Saúde e Inglaterra

No contexto histórico pós 2ª guerra mundial, com o avanço dos governos social-democratas na Europa e o pacto estabelecido entre sindicatos, patronato e o Estado como mediador, o modelo político do Estado de Bem-Estar Social ganha força na Europa, em resposta ao liberalismo econômico, que teria propiciado todo o caos da guerra.

Esta política defende como princípio que todo o indivíduo teria o direito, desde seu nascimento até sua morte, a um conjunto de bens e serviços que deveriam ter seu fornecimento garantido, seja diretamente através do Estado ou indiretamente, mediante seu poder de regulamentação sobre a sociedade civil. Dentre os direitos está a assistência médica gratuita.

Neste contexto, foi fundado em 1948 o NHS (National Health Service), sistema nacional de saúde da Inglaterra, com o objetivo de estabelecer uma estrutura de cobertura universal com equidade e integralidade.

Neste modelo nacional de gestão de saúde pública, os recursos financeiros destinados aos hospitais regionais e aos serviços locais eram calculados de maneira per capita, ajustados por fatores demográficos e epidemiológicos. (Tanaka e Oliveira, 2007)

O NHS é a maior estrutura de saúde pública do mundo em 64 anos de existência, responsável por atender 1 milhão de pacientes a cada 36 horas, mobilizando um contingente de 1,3 milhões de trabalhadores no sistema, segundo dados do blog Brasil com Z.

O modelo original se manteve bem sucedido e próspero no primeiros 20 anos. Até que vieram as crises econômicas. As pessoas ficaram infelizes ao longo do tempo e as prioridades vem sendo revistas.

Saúde é importante… mas é preciso salvar a economia.

Na década de 70 veio a crise mundial do petróleo e pacto do Estado de Bem-Estar Social ficou abalado. Os conservadores ascenderam ao poder sob o discurso de acusar o Estado social-democrata de ser ineficiente e gastador de recursos do PIB, e que era preciso promover reformas e utilização modelos competitivos de gestão do setor privado.

No início da decada de 90, sob o discurso da modernização e eficiência, foram promovidas reformas administrativas neoliberais e privatizante, com o objetivo principal de solucionar o deficit do sistema de saúde.

Ao fim da década de 90, os trabalhistas criticaram o modelo conservador voltado para a eficiência econômica do estado, que estaria muito mais preocupado com a saúde de sua contabilidade financeira do que com a saúde da população.

A qualidade do atendimento e marcação de exames pioraram e a população estava, mais uma vez insatisfeita. Em 1997, os Trabalhistas interromperam a hegemonia conservadora no governo inglês e propuseram o reaparelhamento da cobertura universal do sistema, ou “manter aquilo de funcionava”.

Mas eis que a Europa está mais uma vez em crise econômica. E é preciso manter o sistema funcionando.

Esse é o dilema da Inglaterra: como manter o planejamento e sustentar esse pilar do Estado de Bem-Estar Social e manter o povo feliz?

É possível manter a Felicidade da Inglaterra?

Apesar das alternâncias de poder, destas necessidade de ajustes às crises da economia, e de todas estas transformações no tempo, o NHS sobrevive. Continua a ser duramente criticado pela mídia, mas pesquisas mostram que a maioria da população inglesa se diz satisfeita com o atendimento recebido.

Há de se entender que a Europa está a viver a plena crise. Aparecem já algumas reformas que tentam resolver problemas como a seguridade social, mas a própria mutação demográfica na Europa (imigração) não ajuda a resolver a problemática do Estado de Bem-Estar Social.

A direita diz que não há dinheiro e é preciso patrocinar reformas. A esquerda diz que dinheiro há, ele está é mal distribuído, como indica o artigo do WikipediaEntão onde está o dinheiro?

Fato é que discutir o sistema de saúde significa discutir o próprio Estado. Se ele é um direito fundamental e assim deve ser mantido, não há como conduzir uma política de prioridade sem ter noção dos recursos, sem saber quais são riscos que a população, os donos do capital e o Estado terão que assumir na retirada de recursos, da rede de cobertura e nas perdas associadas.

Sair da crise implicará em correr algum risco, repensar o Estado e a própria percepção de felicidade. E assim projetar um futuro melhor.

E você, acredita no modelo inglês de saúde e acha que o Brasil deveria seguir para garantir saúde e felicidade? Deixe sua opinião no Facebook, Twitter ou aqui no meu blog.

Nossa próxima escala será a Finlândia. Me disseram que lá a prioridade é a educação. Vamos até lá!

Sigam-me os bons!

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