Países Felizes – Parte 1: China

Nesta primeira parada vamos conhecer a China, um país que vem tendo bastante êxito nos últimos anos na sua política de desenvolvimento através do crescimento das riquezas. Será este um modelo possível de ser seguido em outros lugares?

Como ser um país rico?

Essa é uma pergunta que muitos políticos e economistas mundo afora tentam responder e conduzir suas políticas na busca desta resposta. Mas ser rico é importante em qual medida?

No modelo econômico tradicional, existe um índice que mede o somatório das riquezas produzidas num país, chamado Produto Interno Bruto, o velho conhecido PIB, usado para medir a atividade econômica de um território. Sendo assim, se a quantidade de riqueza um valor muito importante para a política de uma nação, um governo que busca este objetivo, encara como meta estimular o máximo crescimento do PIB.

No nosso noticiário, é muito comum ouvirmos a preocupação com crise econômica, estagnação da produção, medidas de estímulo com redução de impostos. Em linhas gerais, essas medidas são tomadas tendo em vista o alcance de uma meta atraente para investimentos de capital e industrias, pois é natural o desejo de investir num lugar onde o dinheiro vá crescer.

Eu poderia tomar como exemplo os Estados Unidos da América, que é o mais rico do mundo, o maior PIB do mundo em valores absolutos. Mas preferi lançar o olhar em outra frente, olhando o critério da maior taxa de crescimento, e escolhi a China.

Mas por quê? Eu acho que olhar o tamanho e a velocidade do crescimento geralmente desperta mais atenção do que olhar aquele que sempre foi rico por muitos anos. Ver um jogador de futebol saído da favela e ganhar muito dinheiro rapidamente é mais impressionante que ver a riqueza do Silvio Santos, que é rico desde que nos entendemos por gente , concorda?

Dinheiro e China

A China é o país mais populoso do mundo, com 1,3 bilhões de habitantes, é o maior país da Ásia e possui o 3º maior território do planeta (em área total). Governado num sistema republicano socialista, é controlado pelo Partido Comunista Chinês desde a Revolução Comunista de 1949.

Entretanto, desde a década de 70, o modelo econômico chinês foi reformado, que foi denominado de “socialismo de mercado”. Na prática, significou a abertura para o comércio internacional de bens e serviços, sem abrir mão do regime.

Segundo o Wikipedia, a política econômica, conforme declarada na Estratégia de Desenvolvimento em Três Passos, anunciada e implementada em 1987,  traçou as seguintes metas:

  1. Dobrar o PIB chinês relativo a 1980 e garantir a alimentação e o vestuário para todos os cidadãos. O passo foi completado ainda no final da década de 1980.
  2. Quadruplicar o PIB relativo a 1980 em 1999. O passo foi completado antes do previsto, em 1995.
  3. Aumentar o PIB per capita para níveis de países em desenvolvimento em 2050, ano no qual o governo chinês espera que toda a população esteja razoavelmente satisfeita com as condições de vida, e que a modernização do país seja realizada basicamente.

O resultado é que em pouco mais de 20 anos a economia chinesa vem crescendo em média 10% ao ano, o que é o maior registro de crescimento entre todos os países, incluindo as maiores potências econômicas, como EUA e Japão e é esperado que nas próximas décadas se torne a maior potência econômica do mundo.

Efeitos do modelo chinês

É comum muita gente desejosa de ver seu país ou região crescer, que já até se cunhou a expressão “crescer a taxas chinesas” – políticos pessoalmente tem esse desejo pessoal. Só que o país não é somente uma máquina de produzir riquezas. Existem pessoas que vivem e querem ser felizes e precisam ser contempladas com os benefícios dessas riquezas.

A China não é um país com graus de liberdade e democracia de países ocidentais. Existe um forte controle do governo central sobre os salários e leis trabalhistas. A organização sindical trabalha para promover a produção e o Partido Comunista Chinês, o que limita a condição social para ganhos e melhorias para os trabalhadores.

Estas medidas fazem com que as empresas chinesas tenham um custo reduzido com mão-de-obra, fazendo dos seus produtos os mais baratos do mundo, gerando os altos níveis de exportações. Multinacionais continuam instalando filiais neste país, buscando baixos custos de produção, mão-de-obra barata e abundante e mercado consumidor amplo.(fonte: suapesquisa.com)

Grande parte da população ainda se encontra em níveis de pobreza, sobretudo a população rural, dada a mecanização da produção agrícola. O país tem graves problemas ambientais pelo consumo de energias fósseis e poluição dos rios.

Mas o PIB vai muito bem obrigado. O índice não exclui os gastos nocivos socio-ambientais no cálculo das riquezas. Despesas com despoluição e consumo de remédios para cura de doenças ajudam a incrementar o PIB.

Afinal, a China é um país feliz?

Avaliar o grau de satisfação dos chineses é praticamente impossível de saber, dada a restrição de liberdade de informações que temos acesso, devido ao regime político controlador (o Google lá é mascarado!).

E analisar a felicidade de um povo apenas pelos efeitos dessa política e pelo valor do PIB incorreria num erro grave, posto que não estou avaliando a natureza das ações e poderia chegar a dedução de que “os fins justificam os meios”.

Mas se analisarmos os efeitos pelo nosso juízo de valor ocidental, seria aceitável sermos tão bem sucedidos como os chineses são? Haveria outra forma mais humana de se atingir esses resultados?

Hoje nós consumimos muitas coisas da China. E buscamos a nossa felicidade às custas desse projeto econômico vultuoso. Então, da próxima vez que comprar um “xing-ling” da esquina na busca da nossa felicidade, lembre-se de que contribuimos para a continuidade deste modelo, sem saber ao certo se os chineses são felizes como nós.

E você, olha para a China e acha que se fôssemos como eles seríamos mais felizes? Deixe sua opinião no Facebook, Twitter ou aqui no meu blog.

Nossa próxima parada será a Inglaterra e conheceremos um país que prioriza a saúde.

Sigam-me os bons!

2 comentários sobre “Países Felizes – Parte 1: China

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