Talentos, Arquitetura e Felicidade

Ao fim da série, podemos agora contemplar oito diferentes formas de encarar uma vida em busca da felicidade, baseado em história de personalidades que tiveram uma trajetória marcante que pudesse evidenciar com clareza ao leitor o traço voltado para uma dessas dimensões apresentadas.

Em cada parte, procurei apresentar cada personagem e dimensão seguindo uma mesma estrutura lógica: (1) definir o que é a felicidade baseada em cada dimensão e valores associados; (2) definir as falsas dimensões, atitudes que não são baseadas em valores e que podem trazer uma expectativa que pode vir a frustrar; (3) o exemplo de um caso real de sucesso; e (4) as consequências por determinada escolha no conjunto das demais dimensões preteridas.

Este modo de desenvolver o tema foi pensado para permitir que o leitor possa abstrair, compreender sua própria escolha e repensar os esforços empenhados na busca que mais se adeque à sua necessidade.

Arquiteto ou Psicólogo?

Mas qual é a explicação de um arquiteto estar tão interessado no comportamento e hábitos de pessoas? Um psicólogo ou sociólogo não faria um trabalho melhor? Não deveria o arquiteto pensar no seu projeto de edificações?

A razão que me moveu a buscar o entendimento da vida das pessoas foi a mesma pela qual o arquiteto Oscar Niemeyer chegou a seguinte conclusão:

“A Vida é mais importante do que a Arquitetura. A Vida é importante; A arquitetura não é. Até é bom saber das coisas da cultura, da pintura, da arte. Mas não é essencial. Essencial é o bom comportamento do homem diante da Vida. A Arquitetura não muda nada. Está sempre do lado dos mais ricos. O importante é acreditar que a Vida pode ser melhor. A Vida pode mudar a Arquitetura. No dia em que o mundo for mais justo, ela será mais simples.”

Seguindo essa linha, se a vida é o mais importante, o ser humano deve ser o objetivo central na construção de uma arquitetura, uma cidade e um país. E da mesma forma que toda arquitetura estabelece uma relação de pertinência com o seu entorno e com a cidade, o ser humano o faz com o grupo e com a sociedade a qual pertence.

Como as relações tem a mesma estrutura, é mais fácil discutir a arquitetura quando passamos a enxergar nela a materialização dos nossos comportamentos e relações. Nesta ótica, a arquitetura é gente como a gente e quer ser feliz, logo precisamos nos importar com essas relações que construímos.

A Felicidade como um processo humano

O ser humano tem em si a necessidade de buscar uma vida feliz e se apoia em suas crenças e esperanças numa vida melhor, seja através da fé em Deus, ou numa fé que contemple algo que possa transmitir sinais da Verdade e da Luz. Essas crenças são capazes de elevar o espírito à um patamar que permite através dele observar um objetivo, uma luz no fim do túnel, e que nos impulsiona nesta direção.

Este movimento é tão dinâmico quanto a capacidade de auto-conhecimento, de fazer as escolhas, de priorizar seus esforços a partir de seu talento, de remediar as dimensões não priorizadas. Ao fim de um período determinado, a esperança baseadas em suas crenças ratificarão o resultado, que pode nos mover a novos desafios ou desfazer as escolhas anteriores, reprojetando o objetivo.

Felicidade é todo esse processo dinâmico. Mas não é somente o destino final ou o resultado alcançado.

Isso tem uma razão: o resultado pode chegar antes do necessário ou caducar no tempo, dada a propria dinâmica da vida das pessoas. As mulheres podem ter o desejo de ter um filho, mas faz toda a diferença na percepção do objetivo se esse filho chegar aos 12 anos ou aos 60 anos.

Faz parte desse processo de felicidade a reavaliação e reflexão da vida e daquilo que realmente importa. Mudar faz parte do processo. Faz parte da vida. Precisamos mudar a nós mesmos, a arquitetura, a cidade, o país.

Para construir a Felicidade

A partir do exemplo dos talentos da felicidade nas suas opções de vida, também nós temos que ter clareza sobre o que realmente importa. A partir de um ideal de felicidade a perseguir é preciso construir esse mundo.

Como nos ensina Alain de Button, no livro Arquitetura da Felicidade, uma arquitetura deve estar orientada para expressar uma mensagem do ideal de felicidade que gostaríamos de viver. Para isso é preciso construir as condições ideais para que essa arquitetura floresça.

Projetar uma Arquitetura Feliz com suas cores, paisagens, áreas livres, altura e densidade, significará a construção de uma mensagem, um novo senso comum de pertencimento e esperança daqueles que habitam, pretendem viver, construir família ou simplesmente viver sozinho.

Delimitar uma Vizinhança Feliz significa uma sinergia de valores comuns capazes de dar forma à sociedade mais próxima a partir do relacionamento entre as arquiteturas que se falam e buscam uma nova harmonia.

Planejar uma Cidade Feliz é observar todos os recursos, capacidades e limitações e orientar para uma discussão social no território, de forma que sua forma e desenvolvimento traduzam numa soma de todas as relações no compartilhamento da superfície.

Construir um País Feliz é compreender o sentimento que une os cidadãos como nação e potencializar valores e talentos de modo que todos os seus habitantes possam viver o tipo de vida que decidiram valorizar.

Mas todos estes passos passam por desconstruir a ideia do individualismo e da competição, do cada um por si e o resto que se vire. Estes males constroem as sociedades que não se falam, construções neutras, cidades soturnas e paises insensíveis á realidade.

O motivo para uma nova Arquitetura da Felicidade nasce em cada amanhecer, na Luz que renova nossa fé e nos revela a possibilidade de construir um futuro melhor e nos faz enxergar todos os novos objetivos a perseguir.

Os próximos passos

Continuaremos a lançar Luz sobre a construção da Felicidade a partir de novas séries de talentos. No entendimento que a Arquitetura, a Cidade e o País são gente como a gente, vamos continuar a eleger essa “nova gente” e seus talentos. Visitaremos países, cidades, bairros, arquiteturas e até cômodos da casa para construirmos essa nova Arquitetura da Felicidade.

Durante a leitura, consulte o Guia da Felicidade para que você consiga perceber a relação entre as vidas e as arquiteturas.

E sigam-me os bons!

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