Talentos da Felicidade – Parte 5: Amigos

Neste quinto artigo da série, vamos observar uma maneira singular de busca da felicidade que vem mostrando seu valor: a felicidade através dos relacionamentos pessoais e amigos.

Antes, porém, é preciso explicar a palavra “amigos” no contexto de dimensão do tipo de vida do modelo de felicidade equilibrada que venho desenvolvendo nesta série.

De acordo com o que verifiquei no Wikipédia, a palavra amizade admite duas definições. A amizade strictu sensu é definida como “uma relação afetiva, a princípio, sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas”; a amizade lato sensu é definida como “é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo”.

Neste aspecto, pode-se dizer que uma relação entre pais e filhos, entre irmãos, demais familiares, cônjuges ou namorados, pode ser também uma relação de amizade, embora não necessariamente.

Sendo assim, neste caso estarei explicando a felicidade pela dimensão lato sensu da palavra amizade, pois é sobre os relacionamentos humanos afetivos onde se concentrará toda a explicação e a lição que o talento associado nos traz.

Parte 5 – Amigos e Mark Zuckerberg

Entre os artistas, poetas e compositores de músicas parece haver uma unanimidade quanto a importância das relações afetivas na felicidade das pessoas, haja vista a infinita capacidade deste tema de fomentar obras artísticas expressivas ao redor do mundo. Outrora o maestro Tom Jobim ousou proclamar: “É impossível ser feliz sozinho”.

Com efeito, o ser humano tem a necessidade vital de estabelecer relações com os demais grupos. É uma condição esta que existe desde as tribos pré-históricas: a cultura das relações funcionais, de confiança, de lealdade, de proteção. E desde então, isso vem sendo aprofundado para as questões afetivas, de afinidade, admiração, de respeito, de amor.

Neste raciocínio, a nossa sobrevivência sempre dependeu da construção de laços com demais pessoas. A partir da seleção natural dos nossos ancestrais, os mais fortes também foram os mais leais e construíram afeto, história essa que foi construída ao longo do tempo e hoje se torna presente intuitivamente.

Nos nossos dias a necessidade de construir laços fortes de relacionamento está ligada diretamente a questão do bem-estar psicológico e da resiliência emocional, pois para superar as dificuldades da vida ou para celebrar coisas boas é importante a presença das relações de apoio, quais sejam familiares ou de convivência diária nos ambientes que habitamos e adquirimos um senso de pertencimento.

Deste modo, uma vida feliz pode ser obtida pela qualidade e estabilidade das relações pessoais para o controle das emoções e sentimentos.

Assim como as demais dimensões, não se deve confundir o processo de construção de relacionamentos com a necessidade de ser popular e ter notoriedade.

Nesta era de redes sociais, de proliferação de conteúdos e dos hits de internet que se tornam memes (“Para nossa alegria”, “menos Luiza que está no Canadá”, “ninguém me tucuta” (sic), etc.), o usuário assumiu um poder de acumular seguidores por afinidade, de modo que “ter um milhão de amigos”, como preconizava Roberto Carlos, se tornou viável (ainda que distorcendo a mensagem original da música) a partir da quantificação de usuários em que se pode transmitir conteúdos e sentimentos.

No entanto, a coleção de amigos de redes sociais se dá apenas pelo aspecto utilitário das pessoas conectadas. Isto é, tenho o poder de ser amigo de quem pode ser útil aos interesses individuais de consumo; como consumidor, tenho o poder de comprar, consumir e descartar.

A relação de amizade verdadeira, por sua vez, supera o entendimento utilitário, pois não se conquista lealdade e confiança num ambiente efêmero e fugaz, tampouco a resiliência emocional e a estabilidade das relações a que me referi acima.

Mark Zuckerberg percebeu esta relação do senso de pertencimento nos grupos durante sua vida universitária em Harvard e o quanto ela era importante para a auto-afirmação das pessoas. No filme A Rede Social, obra de ficção baseada na sua biografia, o cenário social se caracteriza na importância, para os jovens, de pertencer a um grupo na sua vida social.

Tão importante para os jovens como era também para Zuckerberg, esta foi a motivação inicial do protagonista. Para isso, ele viu a necessidade de criar um ambiente controlado se baseadando em quatro condições básicas sobre as relações sociais: 1º) A necessidade de fazer parte de um clube (através de cadastro ou convite); 2º) Manter contato com as pessoas que conhece (conexões com amigos); 3º) Saber o que estas pessoas estão fazendo (timeline); 4º) Quem está interessado(a), tem ou não namorado(a), ou se está interessado(a) em alguém, entre outros (status, compartilhamento, fotos, etc.).

Esta visão concatenada criou o Facebook, a maior plataforma de rede social do mundo, com mais de 800 milhões de usuários ativos.

Este sucesso na criação do ambiente de rede social não foi suficiente para que ele criasse mais amigos para si. Ao contrário, ele teve muitos problemas e processos judiciais nas costas, mas se tornou um dos CEOs mais populares e admirados e dono de uma das empresas mais valiosas do mundo.

Ainda que os fins (ter amigos) não tenham se correlacionado com os meios de seu sucesso (inventar o Facebook), devemos atribuir a Zuckerberg o sucesso de ter colocado sua vida na busca de uma felicidade que teve como prioridade a construção de um ambiente novo para as relações sociais a partir da sua percepção e da necessidade crescente de estarmos conectados.

O sucesso e o fracasso caminharam lado a lado nesta opção de Zuckerberg de priorização para os relacionamentos, pois esse ambiente conduziu lado a lado as coisas boas e ruins: as necessidades afetivas vitais ao lado do narcisisimo e a superexposição em busca da popularidade.

Entendo que é assim também para os menos talentosos, porque este tipo de priorização é o que menos há condições de gerenciamento por parte da pessoa que faz essa opção. Se há o desejo de se viver uma vida em função da construção de relações sociais agradáveis, o sucesso não depende exclusivamente de seu próprio esforço.

É uma opção de alto risco, pois nem todos os seus amigos e familiares pensam da mesma forma. A pessoa corre risco é ser alvo de discriminação pelo próprio grupo de pessoas, seja por acharem que lhe falta de ambição na vida, ou ainda por se sentirem sufocados por tanto zelo.

A solução para esse dilema está no modo que conseguimos nos adaptar as mudanças e amadurecimentos que os relacionamentos passam ao longo do tempo, bem como na capacidade de renovação e na busca por encontrar novos amigos ao longo da vida. Precisamos ser generosos com nossos sentimentos para que eles se fortaleçam e se preparem para as novas surpresas no decorrer da vida.

Porventura o melhor amigo da sua vida não poderia estar ainda por vir?

E você, acredita que felicidade é ter amigos pra contar? Gostaria de viver uma vida de relacionamentos felizes e verdadeiros?

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A seguir o tema será Cultura e Lazer!

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