Talentos da Felicidade – Parte 4: Trabalho

Neste quarto artigo da série, será abordada uma dimensão que é bastante sensível às expectativas de felicidade de grande parte das pessoas: o trabalho. Vamos entender de que forma podemos nos identificar com o talento selecionado e o modo que a prioridade deve ser orientada.

Parte 4 – Trabalho e Bernardinho

Este tema é tão sensível a todos nós que, antes mesmo da idéia deste blog  foi o tema do meu primeiro artigo sobre felicidade depois dos artigos técnicos, (conferir Carreira de sucesso não é garantia de felicidade). O motivo é simples: passamos muito tempo da nossa vida no trabalho.

Façamos a seguinte conta: um dia útil tem 24 horas, destas horas descontamos 1/4 do dia para o descanso e restam 16 horas. Do que resta, o trabalho consome cerca de 9 horas e o deslocamento duas horas (uma pra ir e outra para voltar). Sendo assim, o tempo em casa que resta para as necessidades fisiológicas (acordar, comer, ir ao banheiro), estudos, lazer, relacionamentos e cultura são 5 horas diárias.

Conclusão: durante 30 a 40 anos como população economicamente ativa, mais de 68% da nossa vida útil é consumida pelo trabalho.

É muito tempo!

Por causa disso, existem movimentos sociais silenciosos diversos que defendem, entre outras coisas, que o trabalho deva ter significado na vida da pessoa, que ela deva trabalhar com aquilo que gosta, ou que deva investir na ascensão em busca do sucesso profissional, ou ainda que esta deve cultivar uma visão empreendedora.

Esses movimentos tem o mesmo significado: fazer do trabalho uma prioridade na busca da felicidade. Se tiver um trabalho que nos faça feliz, será possível viver melhor grande parte da vida.

O conceito é bom, mas é preciso encarar o fato: conquistar o trabalho ideal dá muito trabalho e não depende do indivíduo isoladamente. A perseverança no trabalho tem que mantê-lo na trajetória do ideal, apesar das dificuldades. A prudência tem que domar as expectativas que criamos intuitivamente, pois muitas delas podem ser ilusões. E a humildade precisa ser praticada para que seus colegas de trabalho contribuam para o sucesso.

Bernardinho pode ser considerado um talento extraordinário nesta busca da felicidade pelo trabalho, pois seus resultados são inquestionáveis na excelência, dedicação e paixão pelo voleibol. Em seu livro Transformando Suor em Ourofica evidente quais os valores que Bernardinho prega e faz valer em tudo que faz.

Valores como espirito de equipe, paixão pelo que faz, disciplina, trabalho e outros mais, cada um deles possui uma passagem no livro onde percebe-se facilmente a importância desses valores para os principios de vida do treinador. E foram esses valores que os sustentaram durante muito tempo.

Coadjuvante da Geração de Prata, a seleção de 1982 era um paradigma, e conforme os seus valores, precisava ser superada através de uma cultura renovada de espírito de equipe, em que os talentos individuais devem trabalhar para o sucesso coletivo.

Ao mesmo tempo foi necessário um longo período de 12 anos como assistente técnico do Bebeto de Freitas, depois como técnico na Itália e depois na seleção feminina de voleibol, até atingir o topo da carreira, onde se mantém por mais de uma década, a frente da seleção masculina e do time feminino do Unilever Volei/Rio de Janeiro.

Pessoas com o talento voltado para a priorização do trabalho são chamados a responsabilidade a todo momento, à tomada de decisões importantes e até impopulares, tem disposição para enfrentar situações de alto nível de estresse, se estas estiverem apoiadas em valores sólidos e resultados que os sustentem.

Exemplo disso foi o que ocorreu com o técnico quando cortou do levantador Ricardinho do Pan-Americano Rio 2007. Antes do Pan, Ricardinho havia sido eleito o melhor levantador da última Liga Mundial, no entanto, foi cortado do Pan porque colocou em risco o valor de espirito de equipe da seleção.

Mesmo o Pan sendo um título que essa seleção ainda não havia conquistado e se tratando do melhor levantador do mundo, ele colocou em risco essa conquista em prol do espirito de equipe. A época, Bernardinho foi bombardeado pela imprensa. Chegou a ser acusado por parte da torcida de favorecer seu filho Bruno, por nepotismo.

Mas, mais uma vez, os resultados comprovaram que sua decisão foi a mais correta, pois os títulos continuaram a ser conquistados.

A felicidade como excelência no trabalho é uma decisão de vida que depende de domínio técnico, coragem, perseverança e disciplina na priorização. Auto-controle, paciência e muita fé são outras qualidades necessárias para administrar as demais dimensões da vida. O resultado só é colhido com vários anos de experiência como coadjuvante, tendo seu orgulho ferido, se preparando mais e mais em busca do protagonismo e do sucesso desejado.

Mas pode ter certeza: uma dieta de sapos, abacaxis e pepinos serão rotina alimentar de uma vida inteira.

Bon appetit!

E você, está servido deste banquete: felicidade como excelência no trabalho?

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A seguir o tema será Amigos. Aguarde!

Sigam-me os bons!

2 comentários sobre “Talentos da Felicidade – Parte 4: Trabalho

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