Talentos da Felicidade – Parte 3: Educação

Este terceiro artigo da série abordará a Educação como prioridade para se alcançar uma vida mais feliz.

A dimensão Educação, da mesma forma que a Saúde e o Dinheiro, tem a caraterística de ser ao mesmo tempo uma dimensão a ser valorizada e um recurso disponível a ser empenhado. O foco depositado nestas três primeiras dimensões está intrinsecamente associado a busca de uma vida conservadora, voltada para a expansão das capacidades (financeiras, de tempo e habilidades) indíviduais para que possam exercer ponderadamente sua condição de cidadão.

Da mesma forma que os anteriores, vamos observar o talento associado e de que forma sua vida foi orientada.

Parte 3 – Educação e Paulo Freire

A educação pode ser definida como o processo de ensinar e aprender. Sendo um processo, é subentendida a existência de conhecimento e valores que são selecionados, apreendidos, aplicados, experimentados e repassados conforme o período mais apropriado para a pessoa.

Existe, pois, uma relação dependente entre si de acumulação de conhecimento com a prática vivente e com a sustentabilidade – garantir o acesso ao conhecimento para as gerações futuras continuarem a desenvolvê-los. Mas será esta a educação que é buscada como prioridade?

Nesta semana o jornal britânico The Huffington Post publicou artigo de Sarah Brennan sobre o assunto educacional, com a seguinte questão: “Que tal prepararmos crianças e jovens para a vida e não apenas para o mercado de trabalho?”. O artigo critica severamente o modelo de educação, afirmando que este transformou as escolas em “fábricas de provas” e os alunos, em peças de uma linha de montagem, preparados para o melhor desempenho acadêmico.

Vive-se diante de uma distorção do conceito educacional, que definiu o processo educativo como mero atendimento à demanda de mercado e de foco em produção e resultados. Estamos nos enchendo de títulos de diversos níveis, graduações, especializações, cursos de aperfeiçoamento, habilidades técnicas, idiomas, na ânsia por dar conta das exigências crescentes do setor produtivo.

Sarah Brennan alerta que questões como o bem-estar e resiliência emocional (capacidade psicológica de lidar com questões mentais e emocionais nos relacionamentos sociais) são negligenciadas na educação de crianças e jovens.

O compromisso com a educação como prioridade não se basta no processo de capacitação e treinamento de pessoas, se estes não estiverem alinhados a lógica sustentável referida.  Há de se considerar ainda o compromisso de produzir conhecimento, aperfeiçoá-lo e colocá-lo a serviço da sociedade.

Dentre os talentos que selecionei, Paulo Freire (1921-1997) talvez tenha sido o ilustre mais desconhecido da população geral – o que pode ser entendido como um sintoma da falta de importância que o Brasil tem dado ao assunto. Entretanto, é importante dar luz a este talento, que começou sua carreira como um aluno da faculdade de direito, mas que acabou seguindo um caminho diferente: como um educador.

Seu pensamento tem como base a educação libertadora, na qual defendia uma pedagogia em que a pessoa tenha condições de descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica. Em seu livro “Educação como Prática da Liberdade”, Paulo Freire fez uma crítica à educação tradicional no Brasil, e defendeu que seria necessária uma educação para decisão, para uma responsabilidade social e política.

Educação que o colocasse em diálogo sempre com o outro, através de uma visão crítica e não apenas passiva.

Freire concebeu um processo pedagógico de educar o sujeito histórico e politizado dentro de uma análise crítica da sociedade¹ . Seu pensamento guiou a prática de métodos educacionais renovadores, tendo como um de seus mais notáveis trabalhos suas primeiras experiências no Rio Grande do Norte, em 1963, quando ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias.

Pessoas com o talento voltado para a priorização da educação tem como visão orientar sua vida para um desenvolvimento exterior. A partir de uma descoberta do seu intelecto, esta cria uma necessidade interior que impulsiona o indivíduo a compartilhar, convencer e ensinar seu conhecimento, de modo que este conduza as ações transformadoras daqueles que pertencem ao seu entorno.

Esta postura é radical e de enfrentamento diante do paradigma da linha de montagem, o que pode acarretar numa felicidade que não será aparentemente a mais agradável ao sistema nem à sua própria condição pessoal – Paulo Freire teve que viver exilado por 15 anos durante o regime militar.

A felicidade como educação é uma postura ideológica e suas ações são inevitavelmente políticas e voltadas para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. É preciso coragem e perseverança na ação política, no campo educacional, nas escolhas e engajamento pessoal na educação continuada das futuras gerações, de modo que se possa construir os Quatro Pilares da Educação, segundo o relatório da UNESCO: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser.

Mãos à obra!

E você, teria disposição de arregaçar as mangas e buscar a felicidade como educação critica e transformadora?

Deixe seu comentário ou opinião no blog ou na postagem do meu perfil do Facebook.

A seguir o tema será o trabalho. Aguarde!

Sigam-me os bons!

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¹ O comentário sobre o livro foi extraído parcialmente do artigo publicado em: http://goo.gl/8KIuY

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