Gerenciando conflitos: a parábola do feijão com arroz

Havia uma casa no interior onde moravam um pai e duas filhas, que tomavam conta da casa, enquanto ele ia trabalhar na roça. Bóia-fria que era, o pai valorizava o jantar em família e tinha dado a ordem pela manhã antes de sair para que as filhas para prepararem arroz e feijão para a hora do jantar, e dividiu esta tarefa com cada uma das duas filhas: uma era responsável pelo arroz e outra pelo feijão.

A filha que ficou de preparar o arroz, tão logo recebeu a ordem decidiu se planejar para preparar logo pela manhã. Organizou-se em verificar se faltava alguma coisa na cozinha, separou alho, cebola, temperos, panela e já preparou a quantidade ideal para que eles jantassem e que ainda sobrasse para o pai levar pela manhã na sua marmita. Antes do meio dia ela já havia preparado tudo.

Já a filha que ficou de fazer o feijão, boa cozinheira que ela, tinha noção de que fazer essa tarefa não lhe tomaria mais que uma hora, e ela via que algumas coisas que o pai não havia lhe pedido estavam desorganizadas, como a roupa dele que estava descosturada, sua foice que precisava ser amolada e que o deixava mais cansado, entre outros detalhes que nem ele e sua irmã se importavam neste momento. Então ela optou por se dedicar a estas outras coisas e preferiu fazer o feijão às cinco da tarde, uma hora antes do pai chegar, e assim o fez.

No entanto, as irmãs no decorrer do dia começaram a se desentender pelo modo que cada uma estava a executar a tarefa. Aquela que ficou de fazer o arroz reclamava da outra, que estava fazendo coisas que não era o que havia sido pedido, se enrolando e deixando para ultima hora pra fazer o feijão, gastando energia demais e sem planejar a tarefa. Por sua vez, a outra reclamava destas críticas, pois a irmã que só fez o arroz não dava atenção ao funcionamento da casa como um todo e não fazia as outras coisas que eram importantes e davam mais trabalho que fazer o arroz.

Ao fim do dia, o arroz e o feijão estavam conforme o pai havia pedido e ele estava feliz pelo empenho das duas, mas não conseguia entender porque elas estavam aborrecidas uma com a outra, na mesa do jantar.

Bom, você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com resolver conflitos. Pois bem, esta parábola mostra que parte dos conflitos num grupo de trabalho se dá por divergência de métodos. Dada uma tarefa proposta pelo gestor a um grupo heterogêneo com a missão de resolvê-lo num determinado prazo é provável que na divisão de tarefas cada integrante opte por uma linha de desenvolvimento conforme seu estilo ou temperamento.

Existem profissionais que tem o perfil de valorizar a PREPARAÇÃO da tarefa – como é a irmã do arroz. Seu foco é mais conservador e especialista, prioriza o cumprimento da ordem dada e busca a excelência naquela atividade, utilizando de planejamento prévio e detalhamento e explorando a técnica para resolvê-la o quanto antes, otimizando seu tempo no decorrer da jornada de trabalho.

Existem outros que tem o perfil de SOLUCIONADOR dos problemas – como é o caso da irmã do feijão. Por ter domínio técnico suficiente para resolver tarefas simples, seu desafio e ir além da ordem dada e buscar uma solução mais abrangente, numa visão mais ampla. Este profissional é questionador e vai empenhar seu tempo em resolver processos arraigados, deixando a tarefa trivial, que ele tem capacidade de fazer, no tempo que lhe restar, confiando na sua capacidade em entregar no prazo.

Então quem está certo? O preparador ou o solucionador? Não existe uma resposta para a questão, já que ambas as tarefas estarão entregues ao fim do prazo. A questão é que estas duas filosofias de trabalho quando convivem podem gerar desentendimentos, pois há pontos que na visão de um é importante e na visão do outro é falha.

Sendo assim caberá ao líder mostrar que nenhum dos dois métodos levados ao extremo é garantia de maior eficiência no cumprimento da tarefa, pois ambos apresentam suas limitações. O ideal é que num grupo com esse conflito de método seja exercitada sempre que possível a cooperação das duas visões, verificando a pertinência delas em cada momento da jornada, reavaliando suas decisões iniciais, para conseguir uma visão estratégica de executar o melhor “feijão com arroz” possível.

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